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Biomimética é uma ciência relativamente nova que busca aprender com a forma como a natureza e os seres vivos vivem e se adaptam e transformar isso em soluções para a vida moderna.

O termo “biomimética” deriva do grego antigo: βίος (bios), vida e μίμησις (mīmēsis), imitação. A biomimética já vem se desenvolvendo há séculos, mas o termo como conhecemos ganhou popularidade através do cientista americano Janine Benyus que, em 1997, lançou o livro Biomimicry: Innovation Inspired by Nature (‘Biomimética: Inovação inspirada pela natureza’, numa tradução livre). Na publicação, Benyus define a Biomimética como “uma nova ciência que estuda os modelos da natureza e, em seguida, imita ou inspira-se a partir desses projetos e processos para resolver problemas humanos”.

Para além do desenvolvimento de soluções e criação de novos produtos, a biomimética tem se tornado um fértil campo de inspiração para arquitetos e engenheiros do mundo inteiro, interessados em desenvolver novas técnicas que deixem as construções mais eficientes, inteligentes e agradáveis. Abaixo você encontra três exemplos de edifícios inspirados nessa “nova” ciência que promete revolucionar o mundo da construção civil.

Eastgate Centre (Harare, Zimbábue)

Foto Graham van de Ruit

Este é provavelmente o exemplo mais conhecido de uso da biomimética na arquitetura. Trata-se de um edifício de duas torres onde a primeira funciona um shopping Center e a segunda é um prédio de escritórios. Projetado pelo arquiteto Mick Pearce, o grande empreendimento não possui sistema de ar condicionado. Apesar disso, sua temperatura interna permanece agradável e regular o ano inteiro. Como isso foi possível? Pearce se inspirou nos grandes cupinzeiros africanos. Esses cupins se alimentam de um fungo que é cultivado dentro do próprio cupinzeiro. Para tal, a temperatura interna do cupinzeiro deve estar na casa dos 30,5ºC. Para manter essa temperatura, os cupins cavam e fecham constantemente várias saídas de ar, cujo fluxo permite a obtenção da temperatura interna desejada.

Segundo o portal Inhabitat, que obteve acesso ao projeto, no Eastgate “o ar exterior é aspirado e quando entra no edifício é aquecido ou resfriado pela massa do prédio (de concreto) a depender de qual está mais quente, o concreto ou o ar. O complexo é composto por dois edifícios lado a lado que são separados por um espaço aberto, favorecendo as brisas locais. O ar é continuamente extraído deste espaço aberto. Em seguida, é empurrado para cima através de dutos que estão localizados na coluna central de cada um dos dois edifícios. O ar fresco substitui o ar viciado que sobe e sai através de portas de escape nos tetos de cada andar. Finalmente, entra na seção de exaustão dos dutos verticais antes de ser descartado para fora do edifício através das chaminés”.

Como resultado, o ambiente interno do complexo Eastgate Centre está sempre agradável, além de proporcionar uma economia de cerca de 10% no consumo de energia.

CH2 – Council House 2 (Melbourne, Australia)

O projeto do CH2 Melbourne é ousado. Isso porque a prefeitura da cidade convidou arquitetos e designers do país inteiro para criar um prédio que se inspirasse num… ecossistema. Isso mesmo, o edifício australiano elevou os conceitos de biomimética ao máximo. O edifício foi desenvolvido para ter dois padrões: inverno e verão, além de dois modos: diurno e noturno. Para alcançar os resultados de climatização ideias, a prefeitura conta que o primeiro passo foi estudar cuidadosamente o clima da cidade.

O prédio possui em uma de suas fachadas uma grande tela com várias placas de madeira. No modo verão, essas placas de madeira da fachada são movidas de modo a evitar iluminação direta no interior do prédio. Além disso, um exaustor suga o ar quente do teto. Ainda visando a refrigeração em dias quentes, o teto do prédio tem cinco “torres-chuveiro” que, através de uma tecnologia simples de evaporação da água diminuem a temperatura interna do ambiente de 35ºC para cerca de 21ºC. Durante a noite, dutos “sugam” as brisas noturnas da cidade e utilizam esse ar naturalmente climatizado para resfriar tetos, paredes e chão do CH2. Além disso, janelas instaladas na parte norte do prédio abrem de forma automática e exaustores no telhado entram em atividade, garantindo fluxo constante de ar.

No modo inverno, o prédio foi projetado para aproveitar ao máximo o calor gerado no próprio edifício (através de computadores e funcionários, por exemplo). Além disso, ele também usa a radiação solar para ajudar no aquecimento do edifício.

Ao longo do ano inteiro, o Council House 2 é abastecido com energia eólica e solar, através de turbinas e painéis fotovoltaicos instalados no teto. Como resultados, o prédio conseguiu reduzir em 87% as emissões de CO2, em 82% o consumo de eletricidade, em 87% o consumo de gás e em 72% o consumo de água.

A prefeitura de Melbourne criou uma página em seu site com todos os detalhes, plantas, estudos de casos e dados de eficiência do edifício.

Votu Hotel (Bahia, Brasil)

Foto: Divulgação/GCP

Localizado na bela Praia de Algodões, em Maraú (Bahia), o Votu Hotel é um projeto assinado pelo escritório GCP Arquitetura e Urbanismo e, quando finalizado, será o primeiro do Brasil a adotar a biomimética como guia mãe. A bióloga Alessandra Araújo, sócia do escritório GCP, foi responsável por treinar a equipe que iria trabalhar no Votu acerca dos conceitos da biomimética. “Ser sustentável é ser responsável. Não dá para criar soluções baseadas na natureza se não nos sentirmos conectados a ela”, comentou Alessandra ao falar do projeto na Expo Revestir 2017.

A equipe estava em busca de alguma solução biomimética que possibilitasse a criação de um sistema de ventilação natural e constante, aproveitando a abundancia de ventos na região. A inspiração veio após se observar como o Cão-da-Pradaria, um mamífero que vive na América do Norte, faz suas tocas. Ele cava os buracos com estratégicas entradas e saídas de ar, de modo que o ar possa circular de maneira constante. Dessa maneira, o projeto do Votu foi desenvolvido com janelas e portas estrategicamente posicionadas para aproveitar ao máximo a circulação natural do vento. Outra contribuição da biomimética veio inspirada na capacidade de auto-sombreamento de alguns cactos, que influenciou no fechamento dos chalés do hotel.

Por fim, para solucionar o problema de superaquecimento da cozinha, a equipe de projetistas do GCP buscou inspiração no sistema de troca de calor presente no bico dos tucanos. A partir disso, foi desenvolvida uma laje jardim, que contribui significativamente para manter a temperatura ambiente da cozinha mais agradável possível, evitando ao máximo o uso de climatizadores.

O hotel, cujo projeto foi feito em 2016, ainda não tem data para fica pronto. Apesar disso, já inspira arquitetos de todo o país como um exemplo de como a biomimética pode ser, cada vez mais, uma ciência a serviço da arquitetura.

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