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Hidrogênio é uma grande fonte de energia do futuro. Até 2030, Japão, EUA e países europeus devem ter estrutura para receber veículos com este combustível.

Rio recebe conferência de energia do hidrogênio
Rio recebe conferência de energia do hidrogênio

O Rio de Janeiro recebeu, de 17 a 22 de junho, a 22ª Conferência Mundial de Energia do Hidrogênio (World Hydrogen Energy Conference – WHEC). Pela primeira vez no Brasil, o evento apresentou as pesquisas mais avançadas sobre a transformação de biomassas em hidrogênio. Estudos e técnicas para a geração, armazenamento, distribuição e infraestrutura desta energia foram abordados em 21 plenárias, além de workshops e mesas-redondas. O tema central foi a “Transformação de biomassas e de energia elétrica em hidrogênio”.

Apesar de não ser uma fonte primária de energia, o hidrogênio é tido como uma energia limpa, já que pode ser obtido de diversas fontes energéticas – como, por exemplo, biomassa, gás natural, eletricidade e energia solar. A combustão não é poluente, uma vez que é produto da combustão da água.

Segundo o professor Paulo Emílio de Miranda, presidente da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2), o consumo de hidrogênio pela sociedade vai aumentar exponencialmente. “Esta fonte de energia já é utilizada em larga escala em indústrias como a química, metal-mecânica, alimentícia e de petróleo. Entretanto, a produção e o consumo vão aumentar ainda mais por causa do uso energético que se fará dele”, conta.

A busca por alternativas para reduzir o uso de combustíveis fósseis e aumentar o de gás natural para produzir energia limpa e não poluente têm sido um desafio mundial. Desta maneira, o uso do hidrogênio na geração de energia ocupa um lugar de destaque na pauta das economias mais avançadas do mundo, uma vez que a fonte pode ser fundamental para reduzir a emissão de CO2 e suas graves consequências ambientais.

Vale ressaltar que as energias renováveis têm um lugar de destaque na matriz energética brasileira, com mais de 43% do total. A média mundial, por sua vez, é de apenas 13,5%. O número brasileiro é expressivo devido à energia elétrica proveniente majoritariamente das hidrelétricas, no entanto, o crescente uso de alternativas renováveis – como a eólica e a solar, por exemplo, e ainda o uso de derivados da cana de açúcar em larga escala – têm obtido investimentos e incentivos importantes.

O potencial do hidrogênio como fonte de energia renovável e oportunidade para negócios foi destacada durante o WHEC 2018. Para Miranda, o Brasil tem uma grande capacidade de desenvolvimento deste tipo de energia. “Poucos países no mundo têm possibilidade de produzir grandes quantidades de hidrogênio para si e para o mundo como o nosso País. Isso porque temos água e biomassa, utilizadas para obter hidrogênio, em abundância”, explica.

Hidrogênio como combustível

Até 2030, Japão, EUA e países europeus devem ter estrutura para receber veículos com uso de hidrogênio
Até 2030, Japão, EUA e países europeus devem ter estrutura para receber veículos com uso de hidrogênio

O hidrogênio, embora desconhecido pela maioria da população, tem sido um produto com diversos usos industriais há quase 150 anos. O mercado do hidrogênio é predominantemente petroquímico e produz fertilizantes, metanol, entre outras utilidades. Contudo, o gás ainda é considerado como novidade em relação aos combustíveis, embora já tenha sido utilizado em foguetes.

O maior desafio é mostrar-se economicamente viável, sobretudo na mobilidade urbana. Durante palestra na Conferência Mundial de Energia do Hidrogênio, Robert Steinberger-Wilcknes – professor de Engenharia Química da Universidade de Birmingham (Reino Unido) –, explica que o custo do hidrogênio como combustível não é tão elevado se comparado aos danos causados pelos combustíveis fósseis e aos gastos com impostos atrelados a veículos a gasolina e diesel.

Segundo Wilckens, no preço do diesel não são contabilizados os danos causados ao homem e ao meio ambiente. Ele afirma que se o custo ambiental dos combustíveis fósseis fosse computado, os preços da gasolina e o diesel poderiam duplicar ou até triplicar. “Todos pagam pelo impacto ambiental em questões de saúde, altos níveis de poluição nas cidades e mortes precoces causadas pela baixa qualidade do ar. Se estes valores fossem cobrados de quem consome diretamente os combustíveis, eles se tornariam inacessíveis”, diz o especialista.

O problema para o uso em larga escala do hidrogênio hoje como fonte de energia é que as tecnologias de hidrogênio e de célula a combustível são caras, devido aos altos custos de pesquisa. No entanto, Wilcksens defende que os benefícios ambientais são muito maiores. “É verdade que são mais caros em investimento. Mas pode-se economizar muito em custo de operação, já que a tecnologia é mais eficiente e o custo do combustível de hidrogênio já está abaixo do diesel e da gasolina, cujo gasto com manutenção é muito maior”, afirmou.

As tecnologias do hidrogênio também terão impacto no meio ambiente, assim como todas possuem, mas é muito menor do que com combustíveis fósseis e conversão de energia. Para que haja a introdução em grande escala, é necessário um mercado nivelado que elimine os subsídios inerentes aos combustíveis fósseis.

Exemplo internacional

Em sete anos, o Japão terá 200 mil carros movidos a hidrogênio, meta que pretende aumentar o número de 40 mil para 200 mil unidades até 2025. Segundo Yoshihiro Mizutani, diretor de projetos do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério de Meio Ambiente, “o número de postos de abastecimento de hidrogênio neste período irá dobrar, chegando em 320 em todo o País”.

Para isso, o Japão vai promover reforma regulatória, desenvolvimento tecnológico e parcerias entre setores público e privado. Ainda na área de mobilidade urbana, a previsão é de que em 2030, o País tenha 1.200 ônibus e 10 mil empilhadeiras movidas a hidrogênio.

O Japão importa 94% de combustíveis fósseis. E a taxa de autossuficiência energética permanece entre 6% e 7%, sobretudo em decorrência do fechamento das usinas nucleares desde 2011.  Daí a importância do hidrogênio como energia alternativa. “A meta é cortar 26% das emissões de gases do efeito estufa até 2030 sobre os níveis de 2013, seguindo o Acordo de Paris. Até 2050, o Japão vai tentar cortar 80% das emissões”, explicou Mizutani.

Para ele, as tecnologias de energia renovável podem ser usadas para produzir hidrogênio como fonte de energia totalmente livre de CO2. Combustíveis convencionais ou pilhas de combustível podem ser combinados para reduzir carbono. Mizutani classifica o hidrogênio japonês e a tecnologia de pilhas de combustíveis desenvolvida no País como os mais avançados do mundo. No seu entender, o Japão pode liderar o mundo em busca de uma sociedade baseada no hidrogênio.

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