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Construção hospitalar demanda a instalação de uma série de sistemas específicos para a excelente operação do empreendimento.

Sistema de gestão da qualidade consistente é imprescindível para executar uma obra hospitalar.
Sistema de gestão da qualidade consistente é imprescindível para executar uma obra hospitalar. Foto: Pixabay/cezjaw

A construção de um hospital é uma obra bastante desafiadora. Trata-se de um dos mais complexos tipos de edificações, totalmente diferente de edifícios corporativos e residenciais. O desafio é decorrente da grande quantidade de sistemas necessários para a operação de empreendimentos deste tipo, bem como dos muitos requerimentos sustentáveis e gerenciamento de aspectos e impactos ambientais possíveis. Junte a isso a necessidade de, em muitos casos, realizar a obra com os hospitais em pleno funcionamento.

Para atender esta necessidade do mercado construtivo, é preciso ter know-how do segmento. Esta expertise não é construída de uma hora para outra e requer o domínio das mais inovadoras técnicas de construção. Uma das maiores dificuldades se refere às instalações. “Quanto mais complexo um hospital for, maior será a quantidade e densidade de sistemas especiais – como correio pneumático, gases medicinais, rede estabilizada, chamada de enfermagem, sistema de automação, entre outros. A compatibilização e o correto planejamento são fundamentais para o sucesso do empreendimento”, afirma Gustavo Aguiar, diretor técnico da Método Engenharia.

Segundo o executivo, a complexidade de uma construção hospitalar está na necessidade de aplicação de um enorme leque de normas técnicas, que envolvem diversos sistemas estruturais e soluções executivas, uma grande quantidade de acabamentos e instalações complexas, além de normas específicas, como a RDC-50 – Infraestrutura de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde –, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Dependendo da certificação de operação do hospital, outras diretrizes também deverão ser atendidas. Cada projeto é um projeto, não existe uma relação padrão de normas que devem ser atendidas. Este é o motivo pelo qual algumas empresas se diferenciam no mercado pelo know-how na execução deste tipo de obra. Ter um sistema de gestão da qualidade consistente é imprescindível para executar uma obra hospitalar”, diz Gustavo.

Se por um lado as edificações residenciais e comerciais, em geral, possuem uma repetição do padrão desenvolvido, no caso das obras hospitalares, as exigências são outras. “Cada apartamento tem as suas especificações, com necessidades de instalação de sistemas que garantam a vida do ocupante. Além disso, as áreas comuns – como centro cirúrgico, de oncologia, áreas preparadas para a instalação de aparelhos e equipamentos para a realização de exames – não podem possuir nenhum milímetro de desnível no piso, já que isso pode comprometer o funcionamento de equipamentos e, até mesmo, de diagnósticos”, explica Claudio Afonso, sócio-fundador da Afonso França Engenharia.

Estrutura

Construção hospitalar da Método Engenharia
Construção hospitalar requer a instalação de diversos sistemas específicos. Foto: Divulgação/Método Engenharia

Os materiais, equipamentos e métodos construtivos adotados na construção hospitalar devem ser modernos, a fim de proporcionar resistência e velocidade ao processo. Vale ressaltar que um hospital recebe muitos equipamentos pesados, assim, é preciso ter um planejamento logístico e, também, algumas instalações especiais. “O dimensionamento dos espaços e os requisitos específicos de instalação variam de acordo com cada fabricante, ou seja, só são definidos após a compra dos equipamentos, o que geralmente acontece durante ou ao final da obra”, diz Gustavo.

Dependendo do equipamento, é preciso realizar acabamentos e instalações intrínsecas – como iluminação cênica, por exemplo. No caso de equipamentos de ressonância magnética, a sala deve possuir isolamento magnético, com chapas metálicas no piso, teto e paredes. Sem um projeto de isolamento adequado, um equipamento de grande potência pode até atrair e entortar, literalmente, eletrocalhas e outras instalações próximas.

Mais do que dimensionar a estrutura para receber a carga no local em que o equipamento será instalado, é necessário reformar todo o percurso por onde o equipamento será transportado até seu destino final, seja com uma estrutura mais robusta seja com o uso de escoras provisórias. Também devem ser previstas aberturas na fachada e nas divisões internas para permitir a entrada dos equipamentos novos e substituições futuras.

“É comum executar caixilhos especiais que se abrem em grandes dimensões para acesso de equipamentos. Quando os equipamentos são instalados em pavimentos superiores, deve-se considerar uma plataforma provisória onde o equipamento será colocado com guindaste para depois ser levado para dentro da edificação”, continua o diretor técnico da Método Engenharia.

Em relação aos acabamentos, hoje em dia, alguns hospitais têm padrões refinados similares aos projetos de hotelaria. Assim, questões de higiene, fluxo de serviços e acessibilidade possuem um peso muito maior. Afinal, devem-se considerar acessos adequados para todos os públicos: pacientes, visitantes, equipes médicas, colaboradores, prestadores de serviços, portadores de necessidades especiais, ambulâncias, veículos, etc.

Hospitais em funcionamento

Hospital 9 de Julho: Uma das obras da Afonso França.
Hospital 9 de Julho: Uma das obras da Afonso França. Foto: Divulgação/Afonso França Engenharia

O trabalho de reforma com o hospital em funcionamento é um caminho difícil de percorrer, uma vez que o empreendimento opera 24 horas por dia e sete dias por semana, sem interrupção. A equipe de planejamento é fundamental em uma obra desta natureza. Uma vez que se entendem quais são a profundidade e o escopo dos serviços a serem executados, é possível enxergar com mais clareza a situação.

Aplicar o método de produção enxuta – ou Lean Construction, em inglês – é essencial para executar as atividades em um ritmo constante e em um menor espaço de tempo, além de acarretar menos perdas. Trabalhar em uma construção hospitalar em funcionamento envolve alguns pilares principais:

  • Garantir a segurança de todos os envolvidos (usuários, pacientes, equipe médica, colaboradores da obra, etc.);
  • Não comprometer o conforto dos usuários com barulho, acessos complexos e falta de ar-condicionado, por exemplo;
  • Gerar o mínimo de impacto à operação do hospital. Um setor fechado por muito tempo pode comprometer o fluxo de atividades hospitalares, além de comprometer a receita;
  • Garantir um ritmo adequado de produtividade para a finalização da obra dentro do prazo.

“Não se pode deixar cair um parafuso sequer, pois isso incomoda o paciente internado no quarto abaixo. As equipes precisam ser muito bem treinadas, pois em geral a construção civil é um pouco ruidosa, mas em um ambiente hospitalar isso se torna inaceitável. O trânsito das equipes e a logística de materiais também precisam ser planejados de forma exaustiva para não comprometer o fluxo do hospital e os prazos da obra”, afirma Claudio, da Afonso França.

O barulho e a poeira são pontos de alerta máxima para a construção hospitalar. A assepsia, limpeza e organização são primordiais para manter o bem-estar de pacientes que estão em tratamento ou recuperação. Desta forma, toda a equipe precisa estar preparada para tomar os cuidados necessários e atenta às circunstancias gerais.

Quando há a necessidade de demolição, por exemplo, ela é feita de maneira silenciosa e mecanizada, por meio de um processo de esmagamento de concreto. “Isso permite que a execução seja mais limpa, com maquinário compacto e com menos ruídos, já que se trata de equipamento elétrico”, explica França. “Já os tapumes internos recebem tratamento acústico, com vedação especial para evitar passagem de poeira”, completa.

Sustentabilidade

A sustentabilidade é essencial para qualquer edificação, seja qual for a sua finalidade. No decorrer de uma construção hospitalar, alguns pontos podem ser priorizados. Por exemplo, é recomendável que todos os materiais utilizados possuam certificados e atendam às normas brasileiras. Já os processos de remoção de resíduos devem ocorrer exclusivamente para locais credenciados. Os resíduos de alvenaria e argamassa são reciclados e em geral usados como sub-base para áreas externas de estacionamento.

Em relação à utilização de recursos naturais, deve-se tomar um cuidado especial para evitar o desperdício, com campanhas incentivadoras e de esclarecimento na integração dos funcionários e durante toda a execução da obra.

Implantar soluções sustentáveis em um hospital é um requisito não só para proteção e preservação do meio ambiente – o que por si só já se justificaria –, mas, principalmente, para reduzir as despesas mensais e otimizar a operação. Quanto mais impacto econômico uma solução ambiental tiver, mais fácil será sua implementação na construção hospitalar.

Imagine que um shopping – que funciona 12 horas por dia normalmente – possui um custo significativo de energia elétrica, consumo de água e manutenção e limpeza, o que impacta diretamente no lucro operacional do empreendimento. Pode-se dizer que para um hospital, esta conta é o dobro – já que o funcionamento é 24 horas e com serviços ainda mais complexos.

Assim, é preciso estar de olho nas soluções sustentáveis e inovações tecnológicas, lembrando que a forma como elas são usadas – os processos que se estabelecem dentro da organização ao redor desses sistemas, técnicas construtivas ou equipamentos – é que faz toda a diferença.

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