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Concedida pela Fundação Vanzolini, AQUA-HQE chega a mais de 500 edifícios certificados. Anuário Green Yearbook traz material especial sobre o tema.


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cidade sustentável
Atualmente, são 503 edifícios certificados. Foto: Imagem ilustrativa.

A certificação internacional AQUA-HQE, concedida pela Fundação Vanzolini, trouxe uma proposta inovadora para o setor da construção civil sustentável no Brasil. Os números atestam o grande sucesso no mercado: são 503 edificações certificadas no País desde o seu lançamento oficial em 2008, com mais de 9,5 milhões de m² de área construída e mais de 48 mil unidades habitacionais.

Em 2018, a certificação AQUA-HQE completa 10 anos de atuação no Brasil e, para celebrar esta ocasião especial, o Anuário Green Yearbook 2018 vai contar a história da certificação e destacar as soluções adotadas em diversos cases de referência.

HQE na França

O Haute Qualité Environnementale (HQE) – que, em português, significa Alta Qualidade Ambiental – começou a ser desenvolvido na França, em meados de 1996, pela Association pour la Haute Qualité Environnementale (ASSOHQE). Desde o princípio, o intuito sempre foi estudar as condições das edificações ao longo de todo o seu ciclo de vida, analisando quais eram os impactos causados ao meio ambiente, comunidade e usuários, tanto durante o processo de construção quanto a utilização.

“Uma vez que todos estes aspectos foram estudados, foi possível elaborar critérios para o desenvolvimento de projetos melhores, tanto do produto em si (edificação) quanto do processo (canteiro de obras). Estes indicadores de desempenho em relação ao meio ambiente foram desenvolvidos em paralelo com itens para o conforto e a saúde dos usuários”, explica Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo da Fundação Vanzolini.

A criação da certificação HQE aconteceu graças à parceria entre a associação e o instituto francês Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB) – referência mundial em pesquisas na construção civil –, através da sua subsidiária Certivéa. Dessa forma, surgiram as primeiras versões da certificação, voltadas para edifícios comerciais como escritórios, escolas e hotéis.

Em paralelo, a Qualitel – organismo francês que estuda empreendimentos habitacionais sustentáveis –, por meio da Cerqual, também vinha se preocupando com a qualidade das construções residências, especialmente em termos de saúde dos moradores e de durabilidade.

Não demorou muito para que a Associação HQE introduzisse os conceitos elaborados pelo Qualitel para desenvolver também a certificação para edificações residenciais.

Fundação Vanzolini

Criada em 1967 pelo Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), a Fundação Carlos Alberto Vanzolini é uma instituição privada e sem fins lucrativos. Sua missão é desenvolver e disseminar conhecimentos científicos e tecnológicos essenciais à Engenharia de Produção.

De olho nas possibilidades do mercado, a Fundação Vanzolini percebeu que o setor brasileiro de construção aspirava uma certificação sustentável. A relação da Poli/USP com universidades de outros países trouxe à Fundação a percepção de que o modelo HQE poderia ser a base para o processo brasileiro que se imaginava na época.

O primeiro contato com instituto francês aconteceu em 2005, após a apresentação de um estudo de caso do pós-doutorado desenvolvido pela engenheira Ana Rocha Melhado, diretora da proActive Consultoria.

“Nós gostamos muito do modelo HQE. Primeiro porque eles iriam nos transferir a tecnologia para aplicarmos no Brasil de modo que pudéssemos adaptar à nossa cultura e condições e, segundo, porque os critérios que permitem a certificação sustentável são de desempenho, não existem soluções pré-concebidas”, conta Martins. Outro fator importante para a escolha do HQE é a exigência de um sistema de gestão, o qual requer que o empreendimento seja planejado antes mesmo de começar o projeto.

Em 2007, o termo de cooperação foi assinado na França, tornando a instituição brasileira a detentora exclusiva da certificação no País. Assim surgiu o Processo AQUA (Alta Qualidade Ambiental), uma adaptação dos referenciais técnicos da certificação HQE aos padrões brasileiros. A primeira versão foi lançada oficialmente em abril de 2008, já as primeiras certificações vieram a partir de 2009.

Primeiros anos

A primeira adaptação foi voltada para escritórios e escolas e, logo depois, alguns itens foram ajustados para permitir que o sistema também fosse utilizado em edifícios comerciais e hotéis. Já a elaboração do Referencial Técnico de Certificação do Processo AQUA para edifícios habitacionais veio em 2010. Vale destacar que, atualmente, são 275 residenciais certificados e 227 não residenciais.

De acordo com Manuel Martins, o grande desafio – não só da certificação, mas de todo conceito de sustentabilidade – enfrentado nos primeiros anos foi o preconceito formado de que um projeto sustentável onerava o valor final da obra. Com o tempo, a noção de que custa mais caro foi se desfazendo. “Vivemos um momento de compreensão, no qual a sustentabilidade está se tornando uma preferência de clientes e investidores”, diz.

Para Ana, outra dificuldade foi a visão americana intrínseca ao brasileiro. Enquanto os empreendimentos americanos são baseados em grandes projetos, o modelo francês está mais associado ao conforto e bem-estar do indivíduo. “Isso fez com que o AQUA-HQE fosse interpretado apenas para empreendimentos comerciais menores ou habitacionais”, lembra a engenheira e consultora.

O extenso trabalho feito pela Fundação Vanzolini, com a ajuda de diversos especialistas, para a adequação da certificação ao contexto brasileiro deu muita credibilidade ao Processo AQUA. Isso permitiu que os empreendedores percebessem os reais benefícios da sustentabilidade.

Rede Internacional de Certificação

Selo AQUA-HQE
Selo AQUA-HQE. Foto: Divulgação/Fundação Vanzolini

Em 2013, a fusão dos organismos Qualitel – para certificação residencial – e Certivéa – voltado para edifícios não residenciais – criou a Rede Internacional de Certificação HQE™, que unificou os critérios e indicadores para todo o mundo.

A marca global passou a ter a empresa francesa Cerway como órgão certificador, responsável por articular as iniciativas mundiais do HQE.

No ano seguinte, 2014, a Fundação Vanzolini fechou um acordo de cooperação com o Cerway para ser a única representante brasileira da Rede Internacional de Certificação HQE™. A fusão entre os referenciais técnicos brasileiros e franceses transformou o Processo AQUA na certificação AQUA-HQE, chancela internacional a qual o mercado conhece hoje.

Os certificados são entregues como dois documentos, um de origem nacional e outro francês. Uma de suas principais qualidades é o respeito às características locais de cada região, com a adaptação constante dos referenciais técnicos à cultura, clima, normalização e regulamentação. O foco da certificação continua sendo o ser humano, uma vez que 50% das exigências técnicas visam dar condições ideais de saúde e conforto aos usuários da edificação e 50% promovem a preservação do meio ambiente.

Desta forma, o AQUA-HQE estabeleceu 14 categorias que seguem os requisitos para o Sistema de Gestão do Empreendimento (SGE) e critérios de Qualidade Ambiental do Edifício (QAE), além do selo de identidade ambiental para materiais de construção RGMat. Os critérios de avaliação levam em conta, principalmente, o desempenho do edifício.

Futuro

Uma demanda crescente nos últimos anos são as certificações para projetos residenciais nas faixas de interesse social. Quando os referenciais passaram a ter um alinhamento de parâmetros, foram criados níveis mais simples de exigências – chamados de Base –, que atendem edifícios de cunho social.

O AQUA-HQE – Habitação Social surgiu para atender esta demanda e, inclusive, já ganhou a sua primeira certificação. O Amadis Condomínio Clube, empreendimento da Tarjab Incorporadora, além de ser de cunho social, também foi o 500º edifício certificado pela Fundação Vanzolini no Brasil.

Se a atuação do AQUA-HQE foi fundamental para a transformação e o crescimento da construção sustentável no Brasil durante os últimos 10 anos, a tendência é de que esta contribuição seja ainda mais efetiva daqui para frente. Afinal, a construção sustentável é um caminho sem volta.

O conteúdo completo desta matéria poderá ser conferido no Green Yearbook 2018 – Certificações e Sustentabilidade no Brasil. Acompanhe o Going Green Brasil para mais conteúdos exclusivos do Anuário nos próximos dias. Para saber como participar envie uma mensagem pelo e-mail info@goinggreen.com.br.
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