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Telhado verde proporciona conforto térmico e acústico ao edifício, além de combater ilhas de calor e trazer mais áreas verdes a cidades.

Telhado verde é tendência no mercado imobiliário e traz grandes ganhos sustentáveis e sociais. Fonte: Pixabay/Alexas_Fotos

Tendência no mercado imobiliário, os telhados verdes – ou jardins suspensos, como também são chamados – têm como objetivo implementar mais áreas verdes nas cidades, contribuindo para melhorar as condições ambientais da região e a qualidade de vida da comunidade.

Os edifícios que contam com cobertura verde possuem ganhos em conforto acústico e térmico, aumento da umidade relativa do ar, diminuição da poluição na região, além de melhora no aspecto visual através do paisagismo.

João Miguel Feijó, engenheiro agrônomo e diretor da empresa Ecotelhado – companhia focada em soluções e sistemas para arquitetura sustentável e bioconstrução – informa: “A multiplicidade de funções é o diferencial, pois, ao mesmo tempo em que devolve a natureza ao espaço urbano, retém água pluvial e arrefece a envoltória do prédio, podendo também cultivar alimentos nas coberturas e até criar peixes”.

Existem dois tipos de telhados verdes: intensivo (ou semi) e extensivo. Saber qual é a diferença irá te auxiliar na melhor escolha para o seu empreendimento.

Intensivo (ou semi): jardim com espessura superior, o qual chega a ter no mínimo 20 cm. Suporta uma grande variedade de plantas e exige uma manutenção mais próxima. Para esta construção deve-se ter um cuidado maior com os cálculos estruturais, considerando uma carga média de 300 kg/m².

Extensivo: mais fino e leve, conta com no máximo 8 cm de espessura. Este jardim tipicamente é coberto com forração, além de ser mais viável financeiramente. Não suporta tanta carga de água como o intensivo e não permite todo tipo de planta – por causa das raízes mais profundas.

Cuidados na hora da instalação

Antes da instalação do telhado verde, é necessário verificar a estrutura do local que receberá o projeto. Para edifícios ou casas que estão em fase de projeto ou construção, a estrutura já deve ser calculada com o peso da solução.

Outro cuidado que se deve ter é em relação à impermeabilização com produtos a prova de raízes, sendo a manta de PVC a mais indicada e durável, de acordo com o que diz João. “Recomendo o sistema hidropônico com lâmina de água e com o mínimo de substrato para facilitar a coleta de água de chuva e auto irrigação. O Sistema Laminar Ecotelhado pode também receber água cinza do prédio para reúso na irrigação”, completa.

Vale dizer que se o trabalho de impermeabilização não for feito corretamente, é possível que o volume de água permaneça no local ou até mesmo escorra para onde não deveria ir.

Para se ter uma instalação adequada, é necessário checar alguns pré-requisitos como estanqueidade, sobrecarga do sistema de cultivo saturado e drenagem em função da área de contribuição. “É de extrema importância atender a recomendação das normas da ABNT de impermeabilização, que exige proteção contra raízes em qualquer cobertura ou floreira destinada ao cultivo de plantas. No caso de coberturas metálicas, atentar para proteção contra corrosão”, diz Sérgio Rocha, proprietário do Instituto Cidade Jardim – empresa focada em produtos e serviços para telhados verdes.

O custo é mais elevado do que uma cobertura tradicional, no entanto, em longo prazo o investimento econômico é compensado pelo conforto térmico e acústico gerado pela solução. A manutenção de um telhado verde pode ou não ser prolongada, dependendo da planta que for utilizada e a sua necessidade de irrigação. A mão de obra qualificada é importante para a instalação, evitando problemas como vazamento e infiltração.

Além destes cuidados, é importante prestar atenção no sistema laminar, o qual deve ter os componentes dispostos na ordem certa. “O sistema laminar é composto de manta impermeabilizante de PVC anti raízes, módulo de piso elevado de plástico reciclado – que permite a acomodação da lâmina de água por baixo da vegetação –, membrana de absorção de nutrientes, manta Ecotelhado de semeadura que irá germinar e formar a manta de cobertura vegetal” completa João.

Vantagens

Os benefícios de um telhado verde não são apenas para o meio ambiente, mas também podem melhorar a qualidade de vida dos usuários da edificação. A junção com novas tecnologias e materiais viabiliza uma maior qualidade na instalação e vida útil do jardim. Quais são as vantagens e o que devemos nos atentar para tirar maior proveito destes elementos construtivos?

Sérgio Rocha explica: “Os telhados verdes têm impacto sistêmico e promovem serviços ambientais e benefícios tanto para o proprietário/usuário da edificação quanto para o entorno. Por isso, seu potencial de transformação do clima urbano depende da escala de aplicação. Diversos países já possuem legislações específicas e programas de incentivo para promover a instalação destes projetos de forma extensiva sobre grandes telhados e regiões inteiras. Na Alemanha, por exemplo, mais de 15% de todas as coberturas do país já possuem jardins suspensos, configurando um dos mercados que mais crescem na Europa”.

Entre os maiores benefícios sustentáveis dos telhados verdes, podemos citar:

  • Eficiência energética: telhados verdes auxiliam na economia de energia, uma vez que diminuem a necessidade de sistemas de refrigeração e aquecimento por agirem como isolante térmico;
  • Conforto acústico: a camada de solo e a vegetação criam uma barreira protetora contra sons externos;
  • Sistema de energia solar: painéis fotovoltaicos também podem ser instalados junto aos jardins suspensos, com isso, a vegetação aumentará a eficiência de energia coletada pelas placas;
  • Sistema de captação de água: o telhado verde serve como filtro de água, principalmente para partículas sólidas;
  • Manutenção: proteção contra a dilatação térmica, que aumenta a vida útil das lajes e prolonga os períodos de manutenção;
  • Uso: os jardins suspensos podem ser utilizados como áreas de lazer, expandindo o terreno do edifício e permitindo a plantação de hortas e instalação de piscinas artificiais;
  • Entorno: o uso da cobertura verde aumenta a biodiversidade do local, cria um microclima, reduz o efeito linha de calor e melhora a qualidade do ar no entorno.

“O maior benefício é resgatar espaço para a natureza. Criar habitat para biodiversidade no espaço urbano. Esta integração resulta em benefício direto sobre a felicidade das pessoas, melhora a relação social e retorna economicamente pelo aumento da produtividade e eficiência da população envolvida” completa o engenheiro agrônomo, João Manuel.

Apesar das vantagens ambientais e sociais, a manutenção dessas estruturas pode ser difícil de ser realizada. As espécies de plantas escolhidas devem levar em conta as condições naturais do local do plantio como: ventilação, incidência solar, temperatura e chuvas intensas.

“Pode-se cultivar qualquer tipo de vegetação sobre um sistema de telhado verde. É claro que para cada região teremos espécies mais ou menos adaptadas, o que irá significar mais ou menos manutenções. Portanto, para um sistema mais estável e sustentável, o uso de espécies nativas ou localmente adaptadas é fundamental para o bom desempenho com baixo custo financeiro e energético”, completa o proprietário do Instituto Cidade Jardim, Sérgio Rocha.

Algumas plantas são mais propícias a telhados verdes, sendo mais resistentes a adversidades do tempo. Entre elas estão: grama esmeralda, grama são carlos, aspargo, bulbine, clúsia, boldinho, grama-amendoim, lantana e vedélia.

Apesar das vantagens, outro fator importante é a absorção de luz solar, que reduz as ilhas de calor – fenômeno climático que eleva a temperatura média de cidades – atuando diretamente na raiz do problema. “Eles absorvem a luz do sol antes que ela seja absorvida pela estrutura das edificações, transformando essa energia em biomassa e evapotranspiração. Ou seja, transformam o problema em solução. Ao contrário de pinturas reflexivas (que simplesmente jogam o problema para os vizinhos), essa camada protetora de vegetação mantém a temperatura na superfície externa das lajes oscilando entre 22 ºC e 33 ºC, enquanto em uma laje sem telhado verde a temperatura irá oscilar entre 12 ºC e 80 ºC em um dia de verão. Além disso, ao absorverem a água pelas raízes, as plantas liberam vapor d’água na atmosfera, roubando calor, melhorando a umidade relativa e equilibrando o clima no entorno”, explica Sérgio Rocha.

Case Universidade Unisinos

Universidade Unisinos implementou telhado verde e jardim vertical. Foto: Divulgação/Universidade Unisinos

A Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) investiu em inovação e um novo visual para este ano em sua unidade em Porto Alegre (RS), em conjunto com a Ecotelhado. Os conceitos da obra foram trabalhados no próprio projeto arquitetônico, o qual contou com telhados verdes, otimizando o consumo de energia.

Os desafios foram no desenvolvimento de massa verde, devolvendo ao local – que antigamente era um campo de futebol – o visual e a qualidade do ar, construindo jardins verticais e um telhado verde, além do trabalho realizado com o paisagismo.

Os telhados verdes foram realizados com dois sistemas: o Laminar Médio e Alveolar. Nos dois sistemas foram utilizados como vegetação o Boldo, que é uma planta bem resistente e ideal para o clima de Porto Alegre.

A fachada do empreendimento recebeu um jardim vertical, com seis tipos de plantas: asparguinho pendente, bulbine, falsa erica, clorofito, boldo e tradescantia. Neste sistema foi implementado o método Mamute que possuí reserva de água, assim, economizando água e diminuindo a frequência com que as plantas devem ser regadas. Este projeto totalizou 2.776 mil m² de área verde construída.

Em tempo: em Blumenau (SC) foi sancionada uma nova lei que incentiva os cidadãos e empresas a aderirem telhados verdes para aumentar os benefícios ambientais da cidade. Saiba mais neste link.

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