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Ventilação natural é um dos principais pontos da Arquitetura Bioclimática, trazendo benefícios para a edificação e seus usuários.


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ventilação natural em edifícios
Maior aproveitamento de ventilação natural traz conforto térmico e eficiência energética.

Um dos princípios básicos da sustentabilidade é a preservação de recursos naturais – como água, energia, luz ou vento –, fazendo o uso consciente do mesmo e evitando o consumo exacerbado e desnecessário. Quando – para além da preservação – é possível aproveitar estes recursos de forma inteligente e eficiente, realizando uma integração entre construção e meio ambiente, consegue-se um impacto positivo ainda maior e completo.

Empregar o conceito de Arquitetura Bioclimática em projetos de edificações é uma das grandes soluções e tendências sustentáveis deste setor. Esta vertente nada mais é do que a relação que se faz dos fatores climáticos com o desempenho sustentável que o edifício pode atingir, de acordo com a sua localização geográfica.

“Arquitetura Bioclimática é a concepção de espaços considerando a equilíbrio entre as atividades antropológicas e o uso eficiente de recursos naturais, como luz, vento, umidade, entre outros”, afirma Vinicius Battistini, engenheiro da Inovatech Engenharia e responsável pelas áreas de Simulação e Monitoramento do Ambiente Construído da consultoria.

O uso da ventilação natural é um dos itens primordiais deste tipo de arquitetura, afinal, o vento é um recurso natural gratuito, renovável e infinito. O uso adequado desta fonte pode trazer diversos benefícios para as edificações, tanto no que diz respeito à saúde do usuário – já que a qualidade interna do ar seria maior pela troca constante do mesmo no ambiente – quanto à eficiência energética que se pode alcançar – uma vez que com um maior conforto térmico, o uso de sistemas de condicionamento de ar tende a ser menor.

“Existem diversos mecanismos de aproveitamento de ventilação natural, como por exemplo: efeito chaminé e ventilação cruzada. Um projeto arquitetônico deve prever a utilização desses conceitos desde a fase de concepção, levando-os como diretrizes para determinar a orientação do edifício, posicionamento e dimensão das aberturas, antecipando as tomadas e saídas de ar que irão ocasionar a ventilação natural”, explica Vinícius.

Técnicas de ventilação natural

Vale ressaltar que diferentes regiões bioclimáticas contam com diferentes regimes de temperatura, vento, umidade relativa do ar, entre outros fatores. Estes fatores são de extrema importância para definir a estratégia de ventilação natural de um projeto.

“Por exemplo, uma região pode ter uma direção predominante de vento para o Sudoeste, levando o arquiteto a projetar aberturas perpendiculares a essa direção para aproveitar os efeitos de ventilação cruzada”, diz Vinícius.

ventilação natural cruzada
Imagem ilustrativa: ventilação cruzada

A ventilação cruzada é uma das técnicas mais usadas quando falamos em ventilação natural. Ela utiliza diferentes vãos de abertura de um ambiente – sejam eles em posição opostas sejam adjacentes – para criar uma corrente que permite a circulação de ar fresco no espaço.

“A ventilação cruzada é um efeito causado pela diferença de pressão entre lados opostos de uma edificação. Isso ocasiona uma vazão de ar dentro da edificação, sendo insuflado pelas janelas no lado com maior pressão e retirado pelas janelas com menor pressão”, esclarece o engenheiro.

ventilação natural induzida
Imagem ilustrativa: ventilação induzida

Há também a ventilação natural induzida, que utiliza sistemas de indução térmica para a condução do resfriamento do ar.

Trata-se de um mecanismo provocado pela diferença de densidade entre ar quente e ar frio – o primeiro é mais leve que o segundo. Assim, o ar quente fica mais acima e o ar frio mais abaixo.

“Geralmente é colocada uma tomada de ar em uma cota próxima ao solo para o insuflamento de ar fresco (mais frio) e uma saída de ar próxima ao teto para exaustão do ar mais quente”, completa Battistini.

O mesmo conceito é praticado no fluxo de ventilação pelo efeito chaminé, o qual é aproveitado de maneira mais recorrente em edifícios verticais. O ar frio exerce uma pressão sob o ar quente, forçando-o a subir e, consequentemente, ser espalhado por áreas abertas no centro do projeto, como coberturas, exaustores e torres.

Para que tudo isso ocorra perfeitamente, é preciso planejar janelas e barreiras de ar para otimizar o uso dos recursos naturais da região onde o empreendimento está sendo implantado. Assim, vale olhar além dos efeitos da ventilação para se ter uma abordagem mais holística no que diz respeito ao itens que envolvem conforto e saúde dos ocupantes do prédio.

“Devem ser considerados aspectos de iluminação natural, como ofuscamento e iluminância dos ambientes, e aspectos de conforto térmico, como o uso de barreiras para limitar as cargas provenientes de radiação direta, entre outros”, diz o sócio da Inovatech.

Embora não existam normas que regulamentam especificamente o tema, o mercado pode consultar documentos que tratam de itens importantes para que a ventilação natural ocorra de maneira positiva. Entre elas, estão:

  • NBR 15.220 – Desempenho térmico de edificações: exige o mínimo de área de abertura e menciona ventilação cruzada para ambientes de permanência prolongada;
  • NBR 15.575 – Edificações habitacionais – Desempenho: apresenta indicações de dimensões de janela adequada para a ventilação dos ambientes.

Conforto e saúde

Muitos benefícios podem vir com a aplicação de conceitos da Arquitetura Bioclimática e da ventilação natural, especialmente. O menor uso de aparelhos de ar-condicionado e de sistemas de exaustão mecânica no local devido o conforto térmico que o vento proporciona causa uma grande redução no consumo de energia, aumentando, portanto, a eficiência energética da edificação.

Todo este processo também garante benefícios diretos para os usuários, como uma maior qualidade do ar devido às trocas constante, diminuindo o risco proliferação de doenças no interior do empreendimento – vale dizer que a qualidade natural do ar na região também implica neste ponto. Além disso, há mais eficiência na retirada de umidade do interior das edificações, evitando o desenvolvimento de mofos e fungos prejudiciais à saúde e à edificação.

Mesmo com todos estes pontos positivos, é preciso tomar cuidado para que o que é para ser algo bom não se torne em um fator prejudicial para o conforto do ambiente. “A preocupação deve ser para não criar velocidades excessivas de ar dentro das edificações, que podem provocar temperaturas muito baixas. Entretanto, isso é mais raro em meios urbanos”, finaliza Vinícius.

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