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Confira a entrevista com Pedro Luiz Sarro, membro do Comitê de Sustentabilidade da Leroy Merlin, sobre o desenvolvimento sustentável da empresa. 


green yearbook 2018


Sede Leroy Merlin
Sede da Leroy Merlin, em São Paulo (SP), também é certificada pelo AQUA-HQE. Foto: Going Green Brasil

Mais do que simplesmente apontar como podemos ser mais sustentáveis, é importante ser um exemplo. Justamente por pensar desta forma que a Leroy Merlin se tornou referência no assunto.

Parte fundamental de toda a gestão da companhia no Brasil, a sustentabilidade tem peso e voz nos projetos executados, estimulando a construção e operação sustentável de lojas, o consumo consciente e a economia circular.

A empresa foi pioneira em muitos aspectos da certificação AQUA-HQE e, atualmente, possui cerca de 30 unidades certificadas. Segundo Pedro Luiz Sarro, diretor de Projeto e Obras e membro do Comitê de Sustentabilidade da Leroy Merlin, a certificação veio para ajudar no desenvolvimento sustentável de toda a operação da companhia.

Nesta entrevista exclusiva para o Anuário Green Yearbook 2018, Sarro nos conta como a trajetória da Leroy Merlin foi construída nestes últimos 10 anos.

Pedro Luiz Sarro. Foto: Going Green Brasil

O trem da sustentabilidade estava passando à nossa frente e tínhamos que entrar de algum jeito.

O que despertou o lado sustentável da Leroy Merlin?

Tudo começou quando a Leroy Merlin passou a desenvolver o seu projeto de empresa em 2008. Naquele ano, 3.500 colaboradores se reuniram para sugerir qual era o projeto ideal e um dos pilares escolhidos foi o desenvolvimento sustentável. A partir deste momento, criamos o Comitê de Sustentabilidade para tratar o tema internamente e, consequentemente, surgiu o projeto Construir e Sustentar.

Este projeto foi o primeiro passo para que todas as estratégias e ações da companhia estivessem em conformidade com os novos conceitos sustentáveis. A princípio, o programa tinha o intuito de incentivar os nossos clientes e colaboradores a terem um lar mais sustentável. Para isso, adotamos produtos responsáveis em nossas lojas. Em 2009, a Fundação Vanzolini nos convidou para expor estes produtos na Casa AQUA, projeto que foi realizado na Feicon para divulgar a certificação que estava chegando ao mercado brasileiro.

Eu já havia estudado implantar a certificação LEED em uma loja anteriormente, no entanto, todo este processo de sustentabilidade na empresa ainda era muito embrionário. Procurando uma consultoria que pudesse me ajudar a obter o selo AQUA-HQE, me indicaram a Inovatech Engenharia. O Luiz Henrique, responsável pela Inovatech, analisou o projeto da loja de Niterói (RJ) para sabermos o que poderia ser feito para certificar o projeto nos moldes do AQUA-HQE.

Como nós trabalhamos com um processo de gestão baseado no PMI (Project Management Institute), tínhamos maturidade suficiente para incluir a sustentabilidade ao processo de gestão. O custo adicional foi de 8% no orçamento. O trem da sustentabilidade estava passando à nossa frente e tínhamos que entrar de algum jeito. Assim conseguimos nos ajustar e certificar a construção da loja.

Nós fomos pioneiros do processo AQUA-HQE. Depois disso, a unidade de Niterói conquistou a certificação na etapa uso e operação, sendo pioneira também neste sentido. Denominei como uma unidade 100% AQUA-HQE. Posteriormente, vieram mais 16 lojas 100% certificadas, além de outras somente com a etapa de uso e operação – incluindo a nossa matriz, que é a primeira certificação para retrofit concedida pela Fundação Vanzolini.

Qual é a importância do AQUA-HQE para a Leroy Merlin e para o mercado?

Nós não vemos a certificação apenas como uma forma de atestar a sustentabilidade, ela veio para fazer parte do processo de desenvolvimento sustentável que implantamos na Leroy Merlin.

Na época, tínhamos uma grande dúvida entre obter a certificação ou apenas se auto intitular sustentável. Quando você se auto intitula, a responsabilidade em provar que isto é verdade é inteiramente sua. Por outro lado, o AQUA-HQE atesta a minha sustentabilidade e isso é uma grande vantagem.

O mais interessante no caso da Leroy Merlin é que a sustentabilidade vem de baixo para cima. Nossa filosofia sempre foi de não tornar isso um argumento de marketing, nós fazemos porque sabemos da importância. A certificação nos alavancou, fazendo com que fôssemos mais reconhecidos externamente.

Qual é a sua análise do atual momento da construção sustentável?

Eu sempre digo que a sociedade será marcada por antes e depois da sustentabilidade. Acredite se quiser, nós não temos que salvar o planeta e, sim, a humanidade do caos. Se existisse uma justiça social no mundo, onde todos teriam o mínimo direito à moradia, eletricidade, água, etc., não faltariam recursos na sociedade.

Nós temos que mudar a nossa cultura, refazer nossas leis e nosso modo de vida. A sociedade tem capacidade de se adaptar e encontrar soluções para o desenvolvimento sustentável.

A construção está inserida neste contexto, assim como a certificação é importante para mudar a cultura do mercado. Não adianta nada querer certificar um prédio olhando apenas para o resultado e não para o processo.

Foto: Going Green Brasil

Eu sempre digo que a sociedade será marcada por antes e depois da sustentabilidade. A sociedade tem capacidade de se adaptar e encontrar soluções para o desenvolvimento sustentável.

Qual é a adesão dos produtos responsáveis nas lojas? A sustentabilidade é um fator de compra?

O projeto Construir e Sustentar abrange 12 selos que, além de afirmar que o produto é sustentável, indica qual é a sua responsabilidade e desempenho em termos de eficiência no consumo de água, energia, preservação e qualidade do ar, reciclagem e compostagem, entre outros.

Algumas pesquisas de mercado revelam que o consumidor dá preferência para empresas e produtos com conceitos sustentáveis. Se não me engano, 25% das pessoas aceitariam pagar 5% a mais por um produto sustentável ou por um produto de uma empresa sustentável.

É importante falar que estamos disponíveis para o desenvolvimento de produtos responsáveis em conjunto com os fornecedores, seja pelo método de fabricação seja pela finalidade de uso. Um dos exemplos é o papel pintor, desenvolvido a partir de um projeto de inovação criado por colaboradores via nosso programa de Inovação, que consiste em um rolo de papel com fita colante com a finalidade de proteger as áreas demarcadas durante a pintura da sua casa. Nós importávamos o produto, porém, identificamos uma empresa que recebe papel de resíduos produzidos em nossas lojas, realizam a reciclagem e nos devolvem já com a fita colante.

Esta iniciativa promove o negócio local, diminui os resíduos gerados e aumenta o nosso lucro.

Qual é a responsabilidade da empresa na conscientização de funcionários e clientes?

Trabalhamos de dentro para fora. Todos os novos ingressantes na Leroy Merlin passam por uma integração de sustentabilidade, tanto faz se é na matriz ou em uma unidade no Nordeste.

Se nós não trabalharmos internamente vamos perder oportunidades no dia a dia. Por exemplo, a equipe da unidade de Fortaleza (CE) implantou um projeto de reúso de água da condensação de aparelhos de ar-condicionado. São 5 mil litros a cada 1,5/dia que antes eram jogados fora.

Este foi um dos projetos de destaque do nosso Fórum de Inovação 2018. Na hora em que você muda a sua cultura, as coisas vão evoluindo.

Quais são os desafios da empresa em termos sustentabilidade?

Nosso grande desafio é avançar ainda mais na cadeia produtiva e na certificação de fornecedores e materiais. A cadeia produtiva é algo quase infinito. Eu tenho um fornecedor que possui diversos outros fornecedores e assim por diante. Queremos nos certificar ainda mais sobre a origem dos nossos produtos.

O conteúdo completo desta matéria poderá ser conferido no Green Yearbook 2018 – Certificações e Sustentabilidade no Brasil. Acompanhe o Going Green Brasil para mais conteúdos exclusivos do Anuário nos próximos dias. Para saber como participar envie uma mensagem pelo e-mail info@goinggreen.com.br.

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