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Florianópolis, Jaboatão dos Guararapes e Sorocaba passaram pela etapa de assessoria técnica. Projeto visa o desenvolvimento de cidades eficientes.

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Foto: Pixabay/TeroVesalainen

O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) concluiu a fase piloto do Projeto Cidades Eficientes no final do mês de novembro. Realizado em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), o programa objetiva estimular a adoção de políticas públicas que viabilizem reduções efetivas de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em edificações públicas.

Em março de 2018, uma chamada pública nacional recebeu a inscrição de 130 municípios de 21 Estados brasileiros interessados na participação. Os escolhidos para a fase piloto foram Florianópolis (SC), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Sorocaba (SP).

Segundo arquiteta Maria Andrea Triana, coordenadora da equipe técnica do Projeto Cidades Eficientes do CBCS, alguns critérios foram essenciais para a seleção das cidades: experiência anterior comprovada em programas relacionados aos eixos estruturantes do projeto; equipe especializada disponível para trabalhar junto à equipe técnica do Projeto; além de interesse e vontade política para implementar as ações.

Antes da definição das três cidades piloto, o projeto definiu 20 municípios que passaram por uma sessão de entrevistas que possibilitou um levantamento de dados relevantes sobre o tema. O Diagnóstico das Cidades Brasileiras Participantes | Projeto Cidades Eficientes do CBCS está disponível neste link.

Encerramento da fase piloto

Evento de encerramento da fase piloto do Projeto Cidades Eficientes do CBCS
Evento de encerramento da fase piloto do Projeto Cidades Eficientes do CBCS. Foto: André Arcênio.

A etapa de assessoria técnica englobou a coleta e análise de dados, análise de projetos e visitas a edificações de acordo com a necessidade de cada município; oficinas de capacitação e treinamento nas áreas do projeto; apoio na implementação de políticas públicas e medidas de redução de consumo de água e energia; bem como uma pesquisa de mobilidade.

A engenheira ambiental Isabela Issa, integrante da equipe técnica do CBCS, comentou sobre a dificuldade da criação e gerenciamento de um banco de dados sobre o consumo de água e energia nos edifícios. Ela ressaltou que muitas vezes os dados de consumo vão diretamente para a administração e os gestores dos prédios não têm conhecimento deste consumo.

“Vimos casos de escolas que estavam com vazamento e o gestor não sabia porque não é ele quem recebe a conta. A realidade de quem cuida das faturas é outra, está preocupado com o que vai pagar no próximo mês ou faz uma comparação com os últimos três meses”, pontuou. Segundo Issa, o ideal seria um comparativo de pelo menos um ano, bem como uma comparação com os demais prédios públicos de tipologias similares. “O potencial de uma plataforma centralizada com estes indicadores é enorme”, completou.

Já o engenheiro ambiental Alexandre Schinaziazi expôs alguns exemplos de boas práticas e pontos de melhorias, de acordo com visitas realizadas às cidades de Florianópolis, Jaboatão dos Guararapes e Sorocaba.

O uso de luminárias escuras que absorvem parte da luz e lâmpadas acesas em locais com boa iluminação natural são fatores que prejudicam a eficiência energética. O engenheiro defende que alterações necessárias não são apenas em relação ao custo, mas também de conscientização.

“Não é barato mudar todas as lâmpadas para LED, no entanto, podemos mudar a política de compras para à medida que as lâmpadas queimem, elas sejam substituídas pelas de LED”, explica Schinazi. A mudança pode gerar uma redução de até 50% no consumo de energia.

Desafios e aprendizados

Os coordenadores das equipes técnicas dos três municípios relataram os desafios e aprendizados de participar do Projeto Cidades Eficientes do CBCS.

Cibele Assmann Lorenzi, arquiteta urbanista representante da prefeitura de Florianópolis, acredita que a participação irá contribuir para o fortalecimento de algumas ações já implantadas, como: elaboração do primeiro Inventário de GEE, que inclui o Estudo de Mitigação e Mudanças do Clima, com diversos desdobramentos relacionados à redução das emissões de CO2; e a elaboração do Plano de Ação Florianópolis Sustentável.

“A nossa expectativa é fortalecer ainda mais algumas ações que já estávamos realizando e integram os nossos esforços para atingir eficiência na gestão de recursos como energia e água, agora com mais bases técnicas e repertório especializado oriundos do trabalho vivenciado no Projeto”, comentou.

O coordenador da Secretaria de Desenvolvimento da prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, Roberto Castelo Branco, destacou as ações implementadas pelo município, entre as quais se destacam: centralização das secretarias em um novo complexo administrativo para uma gestão mais eficiente; programa de coleta seletiva; e reestruturação da Empresa Municipal de Energia e Iluminação.

Entre os pontos de melhoria, o primeiro deles é a uniformização do controle do consumo de água e energia por todas as secretarias, uma ação que poderá permitir à administração pública analisar indicadores e repensar soluções.

Já Sara Regina de Amorim, técnica ambiental da Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (SEMA) de Sorocaba, afirma que o aprendizado das novas tecnologias disponíveis fortalecerá o que já é trabalhado por meio de outros projetos, como por exemplo, o projeto Urban-LEDS II: Acelerando a ação climática por meio da promoção de Estratégias de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono – que visa promover estratégias de desenvolvimento urbano de baixo carbono em países emergentes.

“Ao longo da primeira fase do Urban LEDS, conseguimos trazer esta agenda de promover esforços frente aos desafios das mudanças climáticas para o município. No início é difícil lidar com a agenda porque parece algo não muito próximo, mas a partir do momento que destrinchamos e consideramos as prioridades de cada secretaria, ficou mais fácil das pessoas aderirem, o que gerou avanços consideráveis em nossa cidade”, defendeu.

Website

Estruturado em quatro eixos temáticos – eficiência energética, uso racional de água, mobilidade urbana e geração distribuída de energia –, a fase piloto do Projeto Cidades Eficientes do CBCS gerou conhecimento direcionado aos governos municipais. O site do projeto permite acesso público ao Guia On-line de Melhores Práticas para municípios brasileiros, confira aqui.

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