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Sustentabilidade deve ser vista como algo intrínseco na formação de alunos de arquitetura e urbanismo. Situações atuais são debatidas como exemplos. 

arquitetura e urbanismo
Foto: Pixabay/Wokandapix_964629.

Na última semana o Going Green Brasil começou uma série de matérias especiais que analisam como a sustentabilidade está inserida em dois dos mais importantes cursos de graduação dentro do setor da construção. Enquanto no primeiro capítulo a Engenharia Civil foi o foco principal, nesta matéria, conversamos com professores de faculdades de Arquitetura e Urbanismo para abordar a questão.

Veja também: Como a sustentabilidade é abordada no curso de Engenharia Civil?

Assim como no curso de Engenharia Civil, a sustentabilidade é um ponto importante no decorrer do conteúdo programático de Arquitetura e Urbanismo. Hoje, é inevitável falar sobre o projeto arquitetônico de uma edificação ou o planejamento urbano de uma cidade sem mensurar os impactos ambientais e formas de minimizar estes danos. Desta forma, os alunos já lidam com estes pensamentos desde o início da formação.

“Gosto de usar uma expressão que diz que toda arquitetura precisa ser sustentável. Um bom projeto é aquele que na sua essência já lida com todas as condicionantes ambientais e sociais. Seja qual for a escala do projeto, é papel do arquiteto prever cada detalhe”, afirma Valéria Fialho, coordenadora do bacharelado em Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Senac.

Segundo Valéria, todas as disciplinas do curso carregam um pouco do debate sustentável, principalmente no que diz respeito aos impactos ambientais de cada uma delas e como remediá-los, no entanto, o programa do Centro Universitário Senac possui uma matéria específica no final do curso para abranger amplamente a sustentabilidade como uma solução.

“Desta forma, nós conseguimos fornecer ferramentas para que os alunos possam atuar na área. Nesta disciplina, já no 10º período da grade curricular, o estudante vai ter um contato e base maiores de legislação, certificações, produtos, etc.”, explica a coordenadora.

Pauta do dia

Embora ainda não seja discutida como deveria, a sustentabilidade é, por muitas vezes, a grande pauta do dia em noticiários. Infelizmente, alguns desastres ambientais são os responsáveis por jogar o tema na roda – como nos casos das barragens em Brumadinho e Mariana (ambas em MG), enchentes por grandes cidades brasileiras e no viaduto de São Paulo que cedeu 2 metros –, que nos fazem questionar a qualidade e o planejamento de construções.

“A nossa consciência quanto ao tema e a sistematização destas questões mudaram durante a última década. Se antes eram mais subjetivas, agora, pela iminência destes exemplos que ocorrem devido à falta de planejamento e consciência dos impactos que construções e indústrias causam ao meio ambiente, elas são urgentes e obrigatórias. Estamos formando arquitetos e urbanistas que vão atuar no nosso futuro imediato e eles precisam de conhecimento para atuar neste mercado”, diz Valéria.

Wolf Steschenko, professor da disciplina de paisagismo e topografia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo (SP), também comenta as mudanças no mercado e, consequentemente, nas universidades. “É engraçado que quando me formei, há quase 40 anos, estas questões eram consideradas inovadoras por algumas pessoas e absurdas por outras. Hoje, são necessárias e basicamente obrigatórias”, diz o professor.

Esta formação mais preocupada com a sustentabilidade é importante para mudar o paradigma do mercado profissional e trazer avanços quanto ao desenvolvimento sustentável. “Muitos destes alunos de Arquitetura e Urbanismo vão trabalhar em órgãos públicos daqui alguns anos, atuando com o planejamento urbano de cidades brasileiras. Por isso, é fundamental que eles estejam cientes destas questões ambientais e sociais. O que ensinamos nas faculdades cria uma concepção de um mundo mais sustentável”, completa Wolf.

Um aluno bem preparado certamente vai conseguir uma colocação no mercado de trabalho, que, atualmente, cada vez mais exige esta qualificação. Afinal, a sustentabilidade também se tornou uma forma de valorização no setor, que, além dos pontos socioambientais, gera benefícios financeiros.

Para Erika Ciconelli de Figueiredo, professora da disciplina de conforto ambiental do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, esta demanda muitas vezes vem do próprio cliente, que, com acesso à informação, se preocupa com o impacto do projeto.

“Profissionais que não se atentam a estas questões vão ter cada vez menos espaço no mercado de trabalho. Na disciplina de conforto ambiental, por exemplo, a preocupação é utilizar estratégias passivas e materiais de acordo com o clima (do local do projeto) para diminuir a necessidade de uso de estratégias ativas, reduzindo, por tanto, o impacto do projeto e o consumo de energia elétrica”, explica.

Erika também alerta para o fato de que o termo “green building” não deve ser associado apenas à edifícios certificados e, sim, visto de uma forma ampla. “A prática projetual que se preocupa com questões sociais e ambientais resulta em projetos melhores do ponto de vista da sustentabilidade. Além de criar projetistas melhores preparados. Esta é a preocupação da FAU-Mack”, afirma a professora.

Visão crítica

O aluno sai com uma visão mais crítica e abrangente frente aos projetos, o que não apenas contribui para a sua formação profissional, mas, também, para a sua posição como cidadão em uma sociedade.

A construção civil é um campo de trabalho e de produção altamente impactante para o meio ambiente, em muitos casos, até mesmo, por negligência por parte dos profissionais atuantes no mercado. “Por menor que seja a intervenção, é fundamental que a arquitetura relacione o projeto com o entorno imediato, recursos naturais, planejamento urbano, uso de mão de obra, gestão de resíduos, etc.”, comenta Valéria Filho, coordenadora do curso no Centro Universitário Senac.

Ambiental, social, financeiro… o foco depende muito das disciplinas que são abordadas no momento. Se o assunto é edifício inteligente, por exemplo, questões como eficiência energética e automação predial são trabalhadas para melhorar a operação e gestão do projeto; bem como se a disciplina visa mais o planejamento urbano, assuntos como mobilidade, saneamento básico, entre outros, são abordados.

De acordo com Valéria, muitos Trabalhos de Conclusão de Curso – os famosos TCCs – já apontam para o desenvolvimento de soluções sustentáveis. “Na última turma que formamos, foram feitos trabalhos sobre os benefícios do bambu, utilização de resíduos plásticos para a produção de novos materiais, projetos arquitetônicos de resorts verdes, entre outros exemplos”, lembra a coordenadora.

“O próprio aluno está encontrando no seu cotidiano assuntos que entram em discussão. Ele enxerga a sustentabilidade como um valor para a sua vida e carreira. Nós vemos notícias de desabamento de barragens, de mudanças climáticas, etc., são assuntos contemporâneos que levamos para debates dentro das salas de aula”, completa Valéria.

De acordo com Wolf, professor da FAAP, cada educador vai utilizando os exemplos atuais de acordo com a sua disciplina. Fala-se muito, por exemplo, de reaproveitamento de materiais de obra, reúso de água, captação de energia solar e planejamento urbano de cidades. “Um exemplo legal da FAAP é a avaliação conjunta que professores fazem do semestre. É a nossa oportunidade de trocar ideias e debater sobre tudo isso”, diz.

Veja também: Sustentabilidade impulsiona o crescimento de novas profissões

Especialização

A especialização em sustentabilidade não pode ser vista somente como um curso e, sim, como uma atualização contínua durante e após a formação, afinal, são questões que passam a fazer parte da vida dos estudantes e profissionais, não só no âmbito acadêmico.

Arquitetura e urbanismo são campos abrangentes de trabalho, que oferecem muitas possibilidades de atuação – os principais são projetos e consultorias –, portanto, é comum que a procura pela formação extra seja na área de atuação daquele profissional. Hoje em dia, muitas instituições de ensino superior possuem programas de pós-graduação, mestrado e especialização em temas voltados para a sustentabilidade.

Vale ressaltar que instituições de certificações sustentáveis – como a Fundação Vanzolini e o Green Building Council Brasil – e órgãos de classe – como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) – realizam constantemente cursos voltados para a especialização em quesitos sustentáveis.

“Nós desenvolvemos o tema na sua essência, no entanto, o profissional ainda precisa de ferramentas para aplicar no mercado de trabalho”, finaliza Valéria.

Going Green Brasil apresenta série de matérias sobre as principais formações profissionais dentro da construção sustentável. Confira como a sustentabilidade é abordada nos cursos de engenharia civil e arquitetura e urbanismo, além de uma matéria especial sobre as novas profissões sustentáveis no mercado. 
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