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Projeto da nova Estação Antártica do Brasil foi selecionado em Concurso Público de Arquitetura, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

Estação Antártica do Brasil
Projeto da Estação Antártica Comandante Ferraz, base de pesquisas da Marinha do Brasil na Antártida. Foto: Estúdio 41.

A Estação Antártica Comandante Ferraz, base de pesquisas da Marinha do Brasil na Antártida, teve sua construção concluída após três anos de obras no continente mais extremo do planeta. O projeto de arquitetura foi feito pelo escritório Estúdio 41, de Curitiba (PR), após vencer um Concurso Público de Arquitetura realizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

A nova Estação Antártica do Brasil conta com estrutura de aço de 700 toneladas, formato aerodinâmico para resistir aos ventos de até 200 km/h e base de palafitas para impedir que a neve acumulada no inverno chegue até o prédio.

O projeto começou em 2012, quando a estação anterior, localizada na ilha Rei George, foi devastada em um incêndio causado durante a troca de combustível. Dois militares da Marinha morreram tentando debelar o fogo. Dias após a tragédia, o Governo Federal anunciou a reconstrução da base, com uma nova arquitetura que atendesse a todos os requisitos para a realização de pesquisas científicas no local.

O IAB foi procurado pelo contra-almirante Marcos Barbosa Rodrigues para poder organizar o concurso. O que ele tinha em mente era fazer uma obra que tivesse um significado, não só por se tratar de uma estação do Brasil na Antártida, mas como uma obra que tivesse uma imagem à altura das edificações que lá se encontravam feitas por outros países.

“Ele não queria que o Brasil fosse visto por um ângulo medíocre, burocrático. Queria que realmente o projeto fosse representativo, de uma cultura arquitetônica brasileira, a qual ele via como fator importante de reconhecimento”, afirma Luiz Fernando Janot, arquiteto e urbanista, responsável pela coordenação do Concurso.

O Instituto tem um histórico muito grande ao longo dos anos de realizar Concursos Públicos de Arquitetura, inclusive em cidades como Brasília. Essa foi a razão básica que fez a Marinha procurá-lo para a realização da nova Estação Antártica do Brasil.

O Concurso Público

Arquitetos, militares e consultores tiveram apenas três meses para montar as regras do concurso, de forma a deixar clara a complexidade que a obra exigia. Os requisitos exigiam, por exemplo, a formação de equipes profissionais multidisciplinares para assessorar os arquitetos participantes da concorrência.

O edital foi lançado em janeiro de 2013, e recebeu 109 inscrições, com 74 projetos entregues. O escritório Estúdio 41, de Curitiba (PR), foi o vencedor da competição, levando um prêmio de R$ 100 mil e mais um contrato de R$ 5 milhões para a realização dos Projetos Executivos e Complementares da nova Estação Antártica do Brasil.

Quando o IAB foi procurado, o projeto passou a ser visto como um desafio, não só para a Marinha que estava pretendendo construir uma planta nessas circunstâncias e com essas características marcantes, mas principalmente para o Instituto.

“O grande desafio foi realizar um concurso sobre um tipo de projeto em condições especialíssimas, completamente diferente de tudo aquilo que os arquitetos brasileiros tinham experiência de fazer. Nenhum arquiteto brasileiro havia feito antes uma estação na Antártida”, comenta Janot.

Ele elenca que o IAB teve que lidar com a complexidade e os cuidados exigidos na construção, pois não era simplesmente fazer um projeto, e sim, pensar em todos os pormenores para a sua realização, como as condições climáticas do local e as características geomorfológicas – a forma do terreno e como ele se transforma com um inverno intenso.

Também teria que ser levada em conta a escala de crescimento de neve, as dificuldades de acesso e, principalmente, os aspectos tecnológicos que iriam envolver a edificação para que ela pudesse responder bem à todas essas demandas locais. Isso fez ele ter um caráter de excepcionalidade.

Estação Antártica do Brasil
O escritório de arquitetura Estúdio 41, de Curitiba (PR), foi o responsável pelo projeto da nova Estação Antártica do Brasil. Foto: Estúdio 41.

“Compreender que essa estação iria abrigar por longos períodos um grupo de pesquisadores e estudiosos, alguns por períodos curtos, outros por mais de um ano, em um ambiente de absoluto isolamento. É igual uma pessoa viver dentro de um submarino. Era preciso criar condições para que essas pessoas tivessem um ambiente coerente com o ser humano, para que pudessem trabalhar direito”, ele diz.

Misto de alojamento e dormitório, a Estação Antártica conta com infraestrutura própria de energia, água, esgoto e telecomunicações, abrigando 18 laboratórios no edifício principal, sete unidades isoladas, heliporto e torres de energia eólica. Os arquitetos pensaram o edifício como se fosse uma vestimenta, um artefato que protege e conforta do frio extremo.

“Eu fui coordenador de concursos do IAB durante 10 anos. Sou um defensor intransigente da realização dos mesmos, primeiro pela idoneidade e também por considerar que essa é a forma de licitação mais democrática e a que melhor contribui não só para uma planta de qualidade como para oferecer oportunidade de jovens arquitetos estarem demonstrando sua capacidade profissional”, enfatiza Janot.

Para Emerson Vidigal, arquiteto do Estúdio 41, o concurso não é uma ferramenta perfeita, mas dentro do contexto da legislação de licitações brasileira, ainda é a melhor opção para se escolher projetos de arquitetura, urbanismo e engenharia.

“Infelizmente ainda é pouco utilizado no Brasil porque os gestores públicos desconhecem as dinâmicas desse instrumento dentro daquilo que a lei prevê como mecanismo de escolha. Imaginamos que ainda tenha espaço para ser cada vez mais utilizado”, diz.

O Projeto

O Estúdio 41, vencedor do Concurso Público de Arquitetura da Nova Estação Antártica do Brasil, teve que pensar vários aspectos para a realização do projeto. O primeiro foi um entendimento de que a presença humana na Antártida deveria ser para fins de pesquisa científica e tudo na nova Estação é pensado nesse sentido.

“Além disso, a questão da logística de pré-fabricação e transporte naval do material da construção acaba definindo uma série de soluções. Fizemos uma intensa pesquisa sobre as estações antárticas de outros países, especialmente aquelas executadas nos últimos 15 anos”, diz Emerson Vidigal.

A formação de equipes multidisciplinares foi muito importante para dar subsídios para os arquitetos decifrarem os problemas existentes e poderem realizar um bom projeto. Além da equipe do Estúdio 41, eles tiveram a colaboração dos engenheiros da Afaconsult, de Portugal.

“Sem esse trabalho coordenado de arquitetura e engenharia não teríamos alcançado sucesso. A equipe portuguesa trabalhou com agilidade e precisão na solução de estruturas e sistemas que possibilitaram a qualidade final da obra”, ele diz.

A tecnologia BIM (Building Information Modelling) também trouxe praticidade e qualidade na elaboração da nova Estação Antártica do Brasil. Ela permitiu antever questões que só seriam percebidas no canteiro de obras. “Cruzando elementos de várias disciplinas de projeto no modelo tridimensional é possível perceber a complexidade das interferências e resolver conflitos antecipadamente”, conta Emerson.

Medidas sustentáveis

Para Emerson Vidigal, a questão da sustentabilidade é uma espécie de responsabilidade que temos em relação ao planeta e um compromisso com a humanidade. Mas, na construção civil, a sustentabilidade acabou se tornando só mais uma abertura de mercado para vender certas tecnologias que nos são empurradas sob o pretexto da ideia de ecoeficiência.

“Não que isso não seja importante, mas preferimos pensar que toda arquitetura boa ao longo da história já lidava com essas questões, e é isso que hoje a gente acaba chamando de sustentabilidade. O mais importante é procurar fazer escolhas responsáveis”, ele diz.

Para a planta da nova Estação Antártica do Brasil, o Estúdio 41 teve um conjunto de desafios e a questão da sustentabilidade é um dos aspectos. Pensar um edifício a partir da lógica do transporte e da industrialização de seus componentes foi um dos pontos centrais.

Estação Antártica do Brasil
O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) coordenou o concurso público de arquitetura que selecionou o melhora projeto para a nova Estação Antártica do Brasil. Foto: Estúdio 41.

No caso da Estação Antártica Comandante Ferraz uma série de requisitos ambientais foram levados em consideração, desde o local de implantação, que ocupa o mesmo lugar da base antiga, até a possibilidade de gerar a própria energia de forma limpa, como é o caso dos aerogeradores instalados.

A nova Estação Antártica do Brasil tem sistemas que permitem tratar a água que será consumida e o esgoto produzido. O lixo que se origina da operação na Antártida deve, por tratado, ser processado e trazido de volta para o Brasil, não podendo permanecer lá.

“Para isso ocorrer, temos unidades de processamento desse material dentro do edifício. Todo o ciclo de projeto, obra, vida útil e desmonte, segue a lógica da possibilidade de reciclagem dos componentes. São diversas questões pensadas para permitir a execução de uma obra desse jeito, naquele local”, diz Emerson.

Medidas de segurança

As questões de segurança tiveram que ser reforçadas devido ao episódio do incêndio ocorrido há sete anos. Foi feita, por parte do escritório vencedor, uma média das normas brasileiras e de alguns países europeus e, com isso, foram dobradas as precauções com segurança.

Como esse foi um trauma muito grande para a Marinha do Brasil, o investimento foi pesado nesse aspecto. “São medidas em dois sentidos principais. O primeiro são os sistemas de combate a incêndio e resistência dos materiais de construção ao fogo. O segundo é a possibilidade de saídas de emergência bem dimensionadas no caso da necessidade de fuga”, explica Vidigal.

Para esses dois requisitos, eles procuraram trabalhar atendendo as normas brasileiras e internacionais, garantindo que o projeto cumpra essas solicitações em condições acima da média.

Também foi indispensável criar um termo de referência do concurso ou termo de referência técnica para facilitar a perfeita compreensão do projeto da obra. Isto é como se fosse um caderno de encargos onde estaria tudo discriminado ao máximo.

“Essa medida é feita para que, quando consultado, tivesse ali todas as exigências esmiuçadas e as indicações de melhores soluções de segurança e técnicas. Também condições ambientais, de som, instalações elétricas, clima, hidráulicas, segurança patrimonial, para uma manutenção fácil de ser feita”, conclui Luiz Fernando Janot.

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