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Uma coisa é certa: para garantir um futuro climático seguro, a transição energética deve ser impulsionada por energias renováveis.

Como alcançar o principal objetivo em longo prazo do Acordo de Paris – ou seja, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e mitigar os males do aquecimento global – é uma das pautas mais discutidas em sustentabilidade. Uma das respostas mais contundentes é a mudança da matriz energética global, que deve ser impulsionada por energias renováveis.

Esta transição energética diante da urgência cada vez maior de desenvolver ações efetivas contra os impactos climáticos é apontada em recentes estudos sobre energia: (1) Global Energy Transformation – A Roadmap to 2050, realizado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, sigla em inglês); e (2) Global Energy System based on 100% Renewable Energy, lançado pela universidade finlandesa LUT e pelo Energy Watch Group.

Ambos concluem que a intensificação do uso de fontes de energias renováveis para a expansão da eletrificação poderia viabilizar a redução de emissões relacionadas à energia necessária para conter o aquecimento global.

No entanto, enquanto o estudo lançado pelo Energy Watch Group afirma que é possível ter um sistema energético composto por 100% de energias renováveis até 2050, a análise divulgada pela IRENA vislumbra uma representatividade de até 86% de energia renovável na demanda global energética.

“A corrida para garantir um futuro climático seguro está em um momento decisivo”, afirma Francisco La Camera, diretor-geral da IRENA. “As energias renováveis representam a solução mais eficaz, e que já existe, para inverter a tendência ascendente de emissões de carbono. Com a soma das energias renováveis com uma eletrificação mais ampla, é possível obter mais de 75% da redução necessária de emissões relacionadas à energia”, completa.

100% de fontes de energias renováveis

Foto: Pixabay/seagul_1989416.

De acordo com o estudo 100% Renewable Energy, a transição para 100% de energias renováveis requer eletrificação massiva em todos os setores energéticos. O total de geração de eletricidade seria de até 5x maior que a geração elétrica de 2015. O estudo fez uma modelagem científica que simula a transição total nos setores elétrico, de aquecimento, de transportes e de dessalinização até 2050.

Isso é realizado a partir de uma combinação de tecnologias baseadas em fontes de energias renováveis, que ajuda a determinar o caminho transitório mais eficaz em termos de custos.

O cenário global de transição energética é realizado em períodos de cinco anos, de 2015 a 2050. Os resultados são agregados em nove grandes regiões do mundo: Europa, Eurásia, Oriente Médio e Norte da África, África Subsaariana, Sul da Ásia, Nordeste da Ásia, Sudeste Asiático, América do Norte e América do Sul.

O consumo de eletricidade em 2050 também aumentaria, sendo responsável por mais de 90% do consumo energético primário. Ao mesmo tempo, o uso de fontes fósseis e nucleares de energia em todos os setores seria completamente extinto. A geração energética primária global em um sistema de 100% renováveis consistiria no seguinte mix de fontes energéticas: energia solar (69%), eólica (18%), hidroeletricidade (3%), bioenergia (6%) e energia geotérmica (2%).

Até 2050, a energia eólica e a solar corresponderia a 96% do total de energia ofertada de fontes energéticas renováveis – que seriam produzidas de maneira quase exclusiva de geração local e regional descentralizada;

A transição de todos os setores reduziria as emissões anuais de gases de efeito estufa do setor energético continuamente de quase 30 GtCO2eq (giga tonelada de dióxido de carbono equivalente) em 2015 para zero em 2050;

Um sistema 100% de eletricidade renovável poderia empregar 35 milhões de pessoas em todo o mundo. Quase 9 milhões de empregos no setor global de carvão deixariam de existir até 2050. Isso será compensado por mais de 15 milhões de novos empregos no setor de energia renovável.

Transição favorável economicamente

A transição energética traz, além dos benefícios ambientais, oportunidades econômicas importantes para o setor e para o desenvolvimento sustentável do mundo, que devem motivar ainda mais os esforços e direcionar os investimentos nas próximas décadas.

A partir de dados coletados e analisados ao longo de quase cinco anos de trabalho, a pesquisa do Energy Watch Group aponta que a transição para 100% de energias renováveis é economicamente competitiva com o atual sistema fóssil e nuclear – e poderia reduzir as emissões de gases de efeito estufa da geração de energia para zero antes mesmo de 2050.

“O relatório confirma que uma transição para 100% de energias renováveis é possível em todos os setores e não se mostra mais caro do que o atual sistema de energia. Isso mostra que o mundo inteiro pode e deve fazer a transição para um sistema energético de emissão zero. É por isso que todas as forças políticas ao redor do planeta devem fazer mais para proteger nosso clima”, disse Hans-Josef Fell, ex-membro do Parlamento Europeu e presidente do Energy Watch Group.

Em abordagem semelhante, segundo o roteiro desenhado pela IRENA, se a transição for acelerada poderia gerar uma economia acumulada de até US$ 160 bilhões nos próximos 30 anos em custos evitados em saúde, subsídios relacionados à energia e danos climáticos.

A economia global teria condições de crescer cerca de 2,5% por ano até meados deste século. No entanto, os danos causados por eventos climáticos extremos podem gerar perdas socioeconômicas significativas.

“A transição para energias renováveis é lógica do ponto de vista econômico”, acrescenta Francisco La Camera, diretor-geral da IRENA. “Políticas que promovam uma transição justa, equitativa e inclusiva podem maximizar os benefícios para diferentes países, regiões e comunidades. Estamos falando de uma transformação que não se limita apenas à energia, mas que tem efeitos mais amplos, que englobam a sociedade e a economia como um todo”.

Políticas públicas nacionais

Um aumento substancial do nível de ambição dos compromissos nacionais e das metas climáticas e de energia renovável é fundamental para atingir os resultados propostos em ambos os estudos.

Enquanto as emissões de gases de efeito estufa (GEE) relacionadas à energia continuaram a crescer a uma média de 1% ao ano nos últimos cinco anos, para atingir as metas climáticas globais é necessário reduzir as emissões em 70% com relação aos níveis atuais até 2050.

O roteiro da IRENA recomenda que a política nacional se concentre em estratégias de longo prazo para viabilizar emissões líquidas zero até 2050. Ele também destaca a necessidade de promover e aproveitar a inovação sistêmica, o que inclui o fomento de sistemas energéticos mais inteligentes por meio da digitalização e da eletrificação, ampliando-a para setores de uso final – como aquecimento, refrigeração e transporte.

Graças a pesquisas como estas e à base de dados extensa existente, é possível desenvolver mapas nacionais para que a transição na matriz energética ocorra, montado precisamente para o contexto individual de cada país.

Entre as recomendações políticas para uma rápida integração de tecnologias de energia renovável e emissões zero, estão a promoção de investimentos privados (idealmente incentivados com tarifas fixas), isenções fiscais e benefícios legais combinadas com a descontinuação simultânea dos subsídios para combustíveis fósseis.

Mark Jacobson, professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, diz que estes trabalhos indicam a posição da ciência de que uma transição para energias 100% renováveis em todo o mundo é possível. “Além disso, mostra que é possível evitar um aquecimento acima de 1,5° Celsius a partir de emissões líquidas zero em 2050 sem a necessidade de tecnologias de captura de carbono ou energia nuclear”, afirma.

Para La Camera, a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e a revisão dos compromissos nacionais no âmbito do Acordo de Paris são marcos para elevar o nível de ambição nos próximos anos.

“É vital que uma ação urgente seja tomada em todos os níveis e, particularmente, que se viabilizem os investimentos necessários para impulsionar essa transformação energética. A velocidade e a liderança com visão de futuro serão elementos críticos, já que o mundo que queremos em 2050 depende das decisões sobre energia que tomarmos hoje”, conclui.

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