Diante do novo normal, as residências devem buscar se adaptar ou serem projetadas já visando a melhoria acústica

acústica

Uma tendência é que, após a pandemia, a adoção do trabalho remoto seja cada vez mais comum entre as empresas. O desafio será o de manter a produtividade neste novo cenário, e por isso, algumas atitudes devem ser tomadas na hora de escolher o melhor local para montar a sua estação de trabalho.

Segundo as arquitetas Mariana Shieko e Haryadne Carniel, coordenadoras da equipe de projetos acústicos da Harmonia Acústica, é recomendado que “seja escolhido um ambiente silencioso, e caso haja outros moradores o melhor a se fazer é evitar trabalhar na área social.” Em residências menores essa realidade nem sempre é possível, portanto, a preferência será para ambientes onde é possível manter sempre as portas fechadas. “Para as pessoas mais sensíveis, ou situações mais problemáticas, existem no mercado acessórios, de fácil instalação, para batentes e soleiras das portas, e que melhoram significativamente o isolamento acústico dos ambientes” completam as arquitetas.

Após a escolha do local onde irá trabalhar, o próximo passo é melhorar a qualidade acústica interna do ambiente. “Isto pode ser desafiador, uma vez que as recomendações são interferências projetuais, como a adoção de forro e painéis de parede fonoabsorventes”, adverte Haryadne.

Soluções paliativas para mitigar possíveis desconfortos podem ser encontradas no próprio espaço, pois a presença de móveis como camas e sofás podem contribuir para a acústica do ambiente, uma vez que possuem uma alguma capacidade de absorção sonora. Seguindo esse raciocínio, para os pisos o uso de tapetes é bem-vindo, especialmente para o caso de pisos frios.

Poluição sonora pode causar graves problemas de saúde

Segundo a OMS, a poluição sonora é a segunda em causas de perdas de vidas saudáveis. “Dito isso, entende-se a importância do tratamento acústico de edificações, principalmente nas grandes cidades onde há tráfego urbano muito intenso. É uma questão de saúde pública”, destaca Haryadne, que colaborou com estudos do mapa de ruído da cidade de São Paulo, em 2018

A reação do nosso organismo é interpretar o barulho como um sinal de perigo e por isso ele libera as reservas de açúcar e gordura para que o corpo tenha energia e meios de se defender rapidamente. O resultado é um esgotamento tão veloz da energia que logo vêm o cansaço, a irritação e o estresse, seguidos de insônia, falha na memória e falta de concentração. A longo prazo as consequências podem levar a gripe e doenças mentais, cardíacas, respiratórias e até digestivas, segundo a lista da OMS de possíveis sequelas da poluição sonora.

Em uma cidade grande ou de porte médio, o barulho do trânsito, de obras, de música alta ou até do toque de um celular podem acarretar danos irreversíveis se for alta a exposição.  Para se ter uma ideia, enquanto uma conversa em tom de voz normal registra 60 decibéis (dB), qualquer ruído acima de 85 dB já provoca danos à saúde auditiva – o equivalente ao som de um liquidificador. O que dizer, então, do barulho provocado por uma motocicleta (90 dB), uma motosserra (105 dB) ou uma britadeira (130 dB, o suficiente para romper o tímpano)?

Não é à toa que a OMS calcula que 120 milhões de pessoas têm a audição prejudicada pela poluição sonora – com a exposição prolongada a sons a partir de 85 dB, as células auditivas começam a morrer de forma lenta e irreversível. O Brasil, por exemplo, é classificado pela própria OMS como o 5º país com maiores índices de poluição sonora. 

Na maioria dos casos, reduzir os ruídos externos, está fora do alcance do morador, visto que cabe a prefeitura do município inspecionar se as legislações vigentes, referentes a emissões de ruído, estão sendo atendidas. É aí que o tratamento acústico ganha importância.

Tratamento acústico deve ser levado a sério

Segundo Mariana, que atua na Harmonia no desenvolvimento de
diversos projetos, entre eles residenciais, corporativos e institucionais, “a possibilidade para melhorar o seu isolamento acústico, é intervir nas esquadrias, por se tratar do ponto mais frágil do sistema de fachada. Essa intervenção pode se dar através da troca da esquadria completa ou adoção de sistema de reforço interno.”

Outra fonte de ruídos, agora interna, são aqueles provenientes de tubulações hidrossanitárias. Elas são uma das principais fontes de reclamação em edifícios residenciais. Apesar de existirem no mercado as chamadas tubulações acústicas, com acessórios antivibratórios e dutos em material isolante, essa solução só pode ser adotada, idealmente, durante a fase de projeto.

“Quando pensamos em soluções pontuais para unidades habitacionais distintas, algumas intervenções podem ser feitas. Recomenda-se o envelopamento dos dutos com placas de gesso e/ou lã mineral, e vedação das possíveis frestas existentes no forro para situações com tubulação passante no entreforro”, ressalta Haryadne.

Quanto aos tratamentos acústicos internos, em pesquisa realizada pela Udemy Toluna, 70% dos entrevistados relatam o ruído de escritório como a principal fonte de distração no trabalho. Quando trazemos essa discussão para os ambientes de home office, as fontes de ruído podem ser outras, mas ainda presentes. Distrações sonoras se traduzem como perda de produtividade, exigindo do colaborador mais horas de trabalho para cumprir as mesmas tarefas. “Com o tratamento acústico adequado, é possível reduzir o nível sonoro interno e consequentemente diminuir as distrações, aumentando assim a produtividade”, afirma Mariana.

Nas edificações multifamiliares encontramos, muito frequentemente, as paredes em drywall, em oposição às residências que costumas ter as paredes em alvenaria. Mas em termos de conforto acústico, quando se fala em isolamento acústico pode-se atingir resultados semelhantes com os dois sistemas. As espessuras totais podem variar, dependendo do tipo de bloco utilizado e composição do drywall. “Existem diversos produtos no mercado, e para acertar na escolha é recomendado que se opte sempre pela utilização de materiais ensaiados em laboratórios credenciados pelo Inmetro”, reforça Mariana.

Para edificações multifamiliares a serem construídas, é obrigatório o atendimento aos níveis mínimos dos critérios da Norma de Desempenho ABNT NBR 15575:2013. É possível ainda melhorar o isolamento acústico mínimo entre unidades residenciais adotando-se como premissa o atendimento aos níveis intermediário ou superior da norma. Em edificações já habitadas, essa melhora pode ser prevista através de reforços nos sistemas de vedações.

Em ambos casos, para melhorar a qualidade acústica interna do ambiente recomenda-se a adoção de revestimentos fonoabsorventes.

“Além do atendimento obrigatório aos critérios da Norma de Desempenho ABNT NBR 15575, devem ser destacados também alguns cuidados, como o isolamento acústico entre ambientes dentro de uma mesma unidade residencial, o tratamento acústico das instalações hidrossanitárias, e projetos de controle de ruídos e condicionamento acústico,” conclui Haryadne.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: