Com a retomada das atividades após meses de restrição ao funcionamento, empresas podem encontrar na eficiência energética um fôlego para o fluxo de caixa

Neste momento em que as regras de flexibilização adotadas por estados e municípios passam a autorizar o retorno das atividades em empresas e diferentes setores do comércio, com atendimento presencial e novos horários de funcionamento, empreendedores devem ficar ainda mais atentos aos gastos, em especial com a energia elétrica, uma das principais despesas dos estabelecimentos.  

Após quase seis meses de medidas restritivas, uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 65,5% de um total de 1,2 milhão de empresas de serviços e 64,1% de 1,1 milhão de empresas comerciais afirmam terem sofrido os impactos negativos da pandemia. No cenário de crise, buscar economizar é uma forma de sobrevivência.

“Para não agravar a situação econômica, a adoção de medidas de eficiência energética pode ser uma alternativa importante para reduzir gastos e auxiliar os empreendimentos nesse período de retomada”, afirma Frederico Araújo, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO), entidade sem fins lucrativos que visa fomentar e promover ações e projetos para o crescimento do mercado de Eficiência Energética, que busca proporcionar meios para se produzir mais com a menor quantidade de energia.

Ações simples e de baixo custo podem fazer a diferença quando se trata de gestão de energia. “Analisar se todos os equipamentos elétricos precisam estar realmente ligados; priorizar iluminação e ventilação natural; verificar se as borrachas da geladeira ou freezer estão vedando corretamente; evitar o polêmico uso do ar condicionado e, quando acioná-lo, deixar os filtros limpos e a temperatura a partir dos 24°. Estas são medidas que podem reduzir a conta ao final do mês”, aponta.

Em caso de possibilidade de investimento, o presidente da ABESCO indica ações mais específicas. “Substituir a iluminação tradicional por tecnologia LED, automatizar os sistemas como os de ar condicionado e até contratar uma empresa especializada para identificar as melhores estratégias de economia energética”.

O desperdício não deve ser evitado apenas durante o período de operação do estabelecimento. Nos horários de inatividade também é importante ficar atento a tudo que gera demanda desnecessária de energia. Entre as opções para garantir maior eficiência neste controle de consumo estão os sensores de presença e o timer que pode ser instalado nos disjuntores, permitindo que os equipamentos sejam desligados em horário pré-estabelecido.

“Apesar das distinções no tamanho, setor e até nos resultados de cada empresa no que se refere à eficiência energética, investir neste recurso, com ações simples ou mais elaboradas, pode ser um diferencial para quem está retomando as atividades e necessita de um fôlego no fluxo de caixa. Em muitos lugares ainda há restrições com relação ao horário de funcionamento e ao número de consumidores que podem circular nos ambientes, o que influencia diretamente na receita e desafia o empreendedor a buscar novas formas de economizar”, finaliza Frederico Araújo.

Quanto se pode economizar

Dados da AES Tietê que mostram que investir em Eficiência Energética é de dois a três vezes mais barato do que investir em qualquer outra forma de geração de energia. Na iluminação de ambientes internos, por exemplo, uma lâmpada tipo LED de 7W tem o mesmo nível de iluminação que uma lâmpada incandescente de 60 W., uma economia de 53 Watts por hora ou quase 90% de economia. Além disso, a vida útil do LED é 50 vezes maior e o calor que é transferido para o ambiente é menor.

No caso das indústrias, quando se trata de motores, um de alto rendimento economiza de 20 a 30% de energia em relação a um motor tradicional. Já para climatização, um retrofit (troca de um sistema antigo por um novo) de um sistema com 15 a 20 anos de operação trará ao cliente final uma economia de 30 a 50% no custo da energia elétrica.

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