Vitória recebe o terceiro encontro do Roadshow Ambição Circular, reunindo indústria, governo e academia para discutir como transformar resíduos em novos negócios, ampliar a competitividade e acelerar a transição circular no país.

O terceiro encontro do roadshow Ambição Circular, iniciativa do Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec), contará com o apoio do Instituto Marca e vai debater, em Vitória (ES), no dia 21 de julho, o desafio de dar escala à economia circular na indústria de base do país, que tem múltiplas operações no Sudeste. Representantes dos setores de óleo e gás, mineração e siderurgia, pesquisadores e atores governamentais já foram convidados para participar do encontro, que contará com uma apresentação do especialista francês Nicolas Buchoud, presidente e cofundador da Aliança da Grand Paris pelo Desenvolvimento Metropolitano (Cercle Grand Paris de l’Investissement Durable) e membro do Asian Development Bank Institute (ADBI).

Os primeiros eventos do roadshow Ambição Circular foram realizados em Porto Alegre e Brasília, em março e maio deste ano. A iniciativa, liderada pelo Ibec com o Hub de Economia Circular Brasil (Hub-EC), busca conectar as cinco regiões do país e posicionar a economia circular como fator de competitividade, a fim de estimular debates e a formação de alianças multissetoriais para transformar conhecimento em oportunidades reais de negócios.

A escolha do Espírito Santo para receber a terceira parada está associada à força da indústria de base do estado, com uma vocação industrial que engloba importantes programas de desenvolvimento e possíveis novas propostas de valor para os insumos e coprodutos gerados. A reunião do dia 21 de julho acontece na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). Entre os temas principais, estão a necessidade de uma abordagem sistêmica no debate da economia circular e a importância da criação de um ecossistema regional para dar competitividade às cadeias reversas.

“O desafio da escala é conectar as pontas que ainda não dialogam entre si e descobrir mercados reais para materiais secundários. Com esse roadshow, estamos construindo um movimento para conectar os atores certos para que a circularidade aconteça em nível sistêmico, englobando diversos setores da indústria e do poder público. Trazer a indústria de base, tão forte em nosso país, e mostrar que as cadeias circulares podem contribuir diretamente para a descarbonização e a mitigação de impactos ambientais tem tudo a ver com escala” defende a presidente do Ibec, Beatriz Luz.

Após o Espírito Santo, a agenda do Roadshow Ambição Circular segue para Salvador (BA), em setembro, e para Manaus (AM), em novembro, às vésperas da COP31.

Na visão de Mirela Souto, presidente do Instituto Marca e embaixadora do Hub-EC no Espírito Santo, a realização do encontro no estado é simbólica: “Falar de escala em terras capixabas é falar da nossa própria vocação, de um estado que já lida com grandes volumes, logística estratégica e uma indústria diversificada. Agora o desafio é aplicar essa mesma lógica de escala à circularidade, transformando resíduo em matéria-prima e posicionando o estado como referência nacional em valorização.

Indústria, academia e autoridades reunidas para acelerar a transição circular

O especialista em economia circular francês Nicolas Buchoud vai participar de forma online do evento e apresentar a experiência europeia na estruturação de políticas de circularidade em escala metropolitana, destacando caminhos possíveis para atrair investimentos privados para projetos de infraestrutura circular no Brasil.

Buchoud é presidente e cofundador da Aliança da Grand Paris pelo Desenvolvimento Metropolitano (Cercle Grand Paris de l’Investissement Durable), think tank independente que atua na interseção de grandes projetos de infraestrutura e transição ambiental. O pesquisador acumula experiências em negociações multilaterais e na interface entre ciência e políticas públicas. Integra, ainda, o T20, grupo de engajamento de think tanks do G20, tendo co-presidido a força-tarefa de investimento e financiamento em infraestrutura em 2019 e 2020. Sua trajetória inclui também a liderança de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento urbano em países da Europa e da Ásia, com ênfase em modelos de financiamento e governança para a transição industrial e territorial.

A programação do dia 21 engloba ainda a participação de lideranças da indústria, representantes do setor público, do sistema S e do setor financeiro, em torno de temas como: a importância de uma política industrial forte para a transição circular; a criação de mercado para materiais secundários; educação profissional técnica para qualificar a força de trabalho local; economia circular como estratégia de desenvolvimento territorial; e gestão de riscos e responsabilidade corporativa na transição.

Entre os painelistas previstos, estão representantes da ArcelorMittal, Findes, MEC/Setec e Marca Ambiental, e espera-se tratar da agenda da COP30, evidenciando a conexão entre a circularidade e os compromissos climáticos brasileiros.

Contexto Nacional e Global da Economia Circular

O Brasil consolidou, nos últimos anos, um arcabouço regulatório robusto para a Economia Circular, passando pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) até chegar à criação da Estratégia Nacional de Economia Circular, a ENEC (2024), e à aprovação do Plano Nacional de Economia Circular (2025), com 18 macro-objetivos e 71 ações estratégicas para os próximos dez anos.

Ao mesmo tempo, a União Europeia tem previsão de avançar, em setembro deste ano, com exigências que impactam diretamente os exportadores brasileiros, a partir da aprovação do EU Circular Economy Act. A medida regulatória instituirá uma série de exigências para economia circular, como o Passaporte Digital de Produtos e novas regras de ecodesign para setores como plástico, têxtil, eletroeletrônicos e embalagens. Nesse cenário, a economia circular deixa de ser uma pauta ambiental e passa a ser agenda de competitividade, inovação e acesso a mercados nacionais e internacionais.

Quem é o Ibec e o Instituto Marca

O Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec) é uma organização da sociedade civil que busca posicionar a economia circular como uma agenda estratégica para o país, a fim de acelerar a transição até 2050. Sua missão é auxiliar o Brasil a adotar princípios circulares em decisões estratégicas, por meio de educação qualificada, engajamento e inovação.

O Ibec atua com com capacitação, estudos, diagnósticos e articulação entre diversos setores da indústria. Além disso, promove interações com órgãos governamentais, participando do desenvolvimento de políticas públicas e construindo parcerias para posicionar o Brasil na agenda global de economia circular.

O instituto integra o Fórum Nacional de Economia Circular (FNEC), liderado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Já o Instituto Marca é uma organização da sociedade civil (OSC) pioneira no desenvolvimento de programas e projetos socioambientais que, desde 2006, cumpre sua missão de promover conexões entre parceiros para proporcionar o bem-estar de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Braço social do Grupo Marca, o instituto atua no Espírito Santo nas áreas de educação, cultura, esporte e meio ambiente, e está alinhado à agenda ESG e aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

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