Estudo da SyGeCom, baseado em dados de mais de 1.500 empresas do setor, aponta crescimento de 20,69% nas movimentações e revela que quase 85% dos fornecedores são pessoas físicas.

Em 2025, 11.139.370 toneladas de resíduos foram movimentadas por 323.500 fornecedores cadastrados nos sistemas da SyGeCom, volume 20,69% superior ao registrado no ano anterior. A empresa, especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor da reciclagem, lançou na terça-feira (20), durante a Eco Expo, a primeira edição do Retrato SyGeCom da Reciclagem no Brasil.

O levantamento reúne dados extraídos dos softwares da companhia, que registram o volume de resíduos transacionados por seus clientes, a participação de cada região do país e o número de fornecedores ativos na comercialização de materiais recicláveis, incluindo pessoas físicas e jurídicas.

Como um mesmo resíduo pode passar por diferentes empresas ao longo da cadeia, das mais de 11 milhões de toneladas registradas, a empresa estima que pelo menos 3,7 milhões de toneladas correspondam a resíduos únicos movimentados em 2025.

A reciclagem ocupa um espaço essencial no desenvolvimento socioeconômico do Brasil, mas os números que medem a atividade ainda são subdimensionados, uma vez que parte dos materiais reciclados não passa por registros oficiais.

Nesse contexto, a SyGeCom, que atua há mais de 20 anos no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor, compilou informações de seus clientes para apresentar um novo recorte sobre a reciclagem no país.

Os números foram extraídos de um banco de dados ligado a mais de 1.500 clientes ativos, presentes em todos os estados brasileiros, que utilizam pelo menos um dos quatro softwares oferecidos pela empresa: Easy, SGR, SGR Plus e SAGI.

Os dados não são resultado de uma pesquisa com amostragem estatística representativa de todo o mercado nacional, mas oferecem informações relevantes sobre as movimentações registradas por empresas do setor privado. Nenhum dado individual de cliente foi exposto na elaboração do levantamento.

“Nós temos uma base sólida de clientes e seus fornecedores, que nos dão diariamente um panorama sobre o funcionamento do mercado e a dimensão do volume de resíduos que são transacionados, muitas vezes longe dos olhos da sociedade. Nosso objetivo é construir uma série histórica, com o registro de dados anuais para serem divulgados no ano subsequente. Queremos contribuir com a reflexão pública sobre o tema, dentro de um setor ainda carente da devida formalização”, destaca o CEO do Grupo SyGeCom, Dinho Machado.

Movimentação de resíduos cresce 20,69% em um ano

As 11.139.370 toneladas de resíduos correspondem ao volume total transacionado e registrado nas plataformas em 2025, uma média de 928.280 toneladas mensais.

O resultado representa um crescimento de 20,69% em comparação a 2024, quando foram registradas 9.229.970 toneladas. Os números contemplam as compras de materiais recicláveis realizadas pelos clientes da empresa.

No entanto, Dinho Machado explica que um mesmo material pode circular por diferentes etapas da cadeia de reciclagem e, consequentemente, aparecer mais de uma vez nos registros.

“A tendência é que um resíduo passe por mais de um ator até chegar ao processamento final na indústria. Por exemplo, um produto que um ferro-velho de bairro compra de um catador vai para um reciclador e, depois, para a indústria. Uma média muito segura para estimar o ciclo de um material são três etapas”, explica.

Considerando essa média de três etapas e o volume total registrado, a SyGeCom estima que pelo menos 3.713.123 toneladas correspondam a resíduos únicos movimentados em 2025. Trata-se de uma estimativa baseada no percurso dos materiais pela cadeia, e não de uma medição direta da quantidade efetivamente reciclada.

Levantamento complementa dados sobre reciclagem no Brasil

Os números divulgados pela SyGeCom partem de sua base de clientes e fornecedores espalhados pelo país e podem complementar outras fontes de informações utilizadas pelo setor, como o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, divulgado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Segundo os dados citados no levantamento, o Panorama estimou aproximadamente 7,1 milhões de toneladas de resíduos secos enviados para reciclagem no Brasil em 2024, considerando a coleta por serviços públicos e a coleta informal.

O estudo também apontou que cerca de 6,7% dos resíduos coletados pelos serviços públicos foram encaminhados para centrais de triagem, com recuperação de aproximadamente 52% desse volume. Já os catadores autônomos foram responsáveis pela coleta estimada de 4,6 milhões de toneladas.

O Retrato SyGeCom também apresenta indicadores sobre a participação de pessoas físicas e jurídicas na comercialização de materiais recicláveis.

Dos 323.500 fornecedores que realizaram pelo menos uma movimentação de resíduos com clientes da empresa em 2025, 84,79% eram pessoas físicas (274.276) e 15,21% pessoas jurídicas (49.224).

Os dados evidenciam a expressiva participação de pessoas físicas na cadeia de comercialização de recicláveis, embora essa classificação, isoladamente, não permita determinar a situação de formalização de todos os trabalhadores envolvidos.

“Ainda prevalecem os CPFs atuando nas transações e vendendo materiais para empresas. Esses dados são reflexo da cultura da reciclagem no Brasil, movimentada, em grande parte, por catadores autônomos que encontram na atividade um meio de renda e sobrevivência. A nossa missão é aprimorar soluções que atendam às necessidades de todos os atores do ecossistema, a fim de profissionalizar e integrar cada vez mais o setor, usando a tecnologia como aliada em processos operacionais, contábeis, fiscais e logísticos”, afirma Dinho Machado.

Sudeste concentra 65% das movimentações registradas

No recorte regional, o Sudeste apresentou o maior volume de movimentações em 2025, concentrando 65% do total, o equivalente a mais de 7,2 milhões de toneladas registradas nos sistemas da SyGeCom.

A região também reúne a maior parcela dos clientes que utilizam os softwares da companhia.

Na sequência aparecem o Sul, com 19% das movimentações, o Centro-Oeste, com 7%, o Nordeste, com 6%, e o Norte, com 3%.

O levantamento também menciona dados do anuário IPC Maps 2025, segundo os quais o Sudeste responde por aproximadamente 49% do potencial de consumo nacional, seguido pelo Sul (18,48%), Nordeste (17,5%), Centro-Oeste (9,1%) e Norte (menos de 6%).

Embora não exista uma relação direta de causa e efeito entre esses indicadores, o consumo influencia a geração de resíduos e a disponibilidade de materiais com potencial de reciclagem.

A distribuição regional apresentada pela SyGeCom, entretanto, reflete as operações registradas por sua base de clientes e não deve ser interpretada como a participação de cada região no volume total reciclado no Brasil.

Sobre o Grupo SyGeCom

O Grupo SyGeCom reúne as empresas SyGeCom, iSat e WasteBank, com soluções voltadas à gestão, logística e serviços financeiros para o setor de reciclagem.

A companhia desenvolve tecnologias para apoiar processos operacionais, contábeis e fiscais, contribuindo para a rastreabilidade, a transparência e a eficiência das operações.

Fonte: Retrato SyGeCom da Reciclagem no Brasil – Edição 2026, com dados referentes a 2025.

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